Publicado 18 de Julho de 2016 - 23h29

Estamos vivendo tempos difíceis, mas algo me chama a atenção. Todos parecem correr atrás da juventude eterna, tentando reverter o tempo, as cirurgias estéticas tornaram-se sonhos de   consumo, fábrica de ilusões. E qual seria a fonte da juventude eterna?  Mudanças!  Os que se opõem a transformações e mudanças são os que envelhecem, e ás vezes antes da hora. 

Dia desses presenciei uma cena onde a mãe convida a filha de 20 anos para acompanhá-la em uma festa junina. A filha se  recusa a ir alegando que lá só terá “velho” e o que iria fazer numa festa de “velho”?  Pensei comigo que essa moça terá muito que rejuvenescer.  Há moços velhos e velhos moços. A juventude não é determinada pela idade, quem dá juventude ao olhar é a vida que optamos por levar. O bom humor, o gosto pela vida, o coração e mente abertos são ferramentas valiosas para que possamos entender e aceitar as inevitáveis transformações que talvez de preferência não escolheríamos. 

Há idosos que são abandonados  porque os filhos não prestam e os amigos morreram, mas há aqueles que são solitários porque  se tornaram chatos, amargos, só fazem cobranças e chantageiam. Talvez tenha faltado à esses cultivar interesses ter metas, iniciar e cultivar amizades. Ser sempre bom é um mito, mas a simpatia, educação e cordialidade são realidade. Creio que é possível haver amizade e trocas entre velhos e jovens desde que não haja rejeição e preconceito, daí serão muitos os  benefícios desse convívio. 

O aumento de expectativa de vida em nosso País implica que várias gerações conviverão simultaneamente, então é necessário que saibamos compartilhar, trocar experiências e nos respeitar. Esse é um grande desafio a ser enfrentado. Olhe-se no espelho! O que vê em seu íntimo? Um velho ou um jovem?  Sob à luz da teologia, como Deus criou todas as coisas, assim como as estações foram divididas, desde o primeiro olhar até o último suspiro, temos fases, ciclos na vida. Portanto a velhice não é um fardo, mas uma conquista para os que conseguirem chegar lá.

Não importam os anos vividos, o amor é o mesmo...  Nos tira o sono, provoca medo, nos tira do sério, faz coisas que Deus duvida.  Na adolescência e juventude ele vem como um ciclone, na maturidade quem quiser nos amar tem que ter paciência, vir devagar,  com jeito. Porque para disfarçar nossos medos e inseguranças, usamos uma “camisa velha”, forte como um colete quase intransponível. Já não se tem tantas ilusões, mas por outro lado, adquirimos habilidade para aceitação mais tranquila do outro e com maestria  fazer valer nossos direitos. 

Em todas as idades, percebo que o amor é um ladrão da arrogância.  E depois que encontramos um amor bom para nós, vivê-lo é um heroísmo. Há pessoas, no entanto que não se encantam por uma única pessoa. Apaixonam-se pelo trabalho, pelo dinheiro, por causas e que por elas vivem e morrem. São aqueles que falam pelos que não tem voz. Conheço um amigo que é doutor, senta-se com os doutores e veste a camisa dos pobres. 

Tenho outro que ama tanto o dinheiro que têm que, não o usa. Nesse mundo há muitos amores, o maior que conheço é o de Deus por nós.  A misericórdia que Ele tem com cada filho, dando a chance em cada amanhecer de despertar a coragem de pegar a vida pelos   chifres e não se acomodar, tentar ser melhor a cada dia, não se apegar a coisas e entender que nesse mundo somos apenas inquilinos. Portanto, o essencial, não tem preço e nem forma, consiste em simplesmente, Amar!