Publicado 25 de Julho de 2016 - 21h20

Por Raquel Valli

Por mês, são importadas seis toneladas de cargas por Viracopos. O novo sistema, entretanto, tem capacidade para inspecionar o dobro, 12 toneladas/mês

Patrícia Domingos/AAN

Por mês, são importadas seis toneladas de cargas por Viracopos. O novo sistema, entretanto, tem capacidade para inspecionar o dobro, 12 toneladas/mês

O Aeroporto Internacional de Viracopos é o primeiro do Brasil a inspecionar 100% das cargas de exportação. Antes, checava cerca de 40%. A medida é importante para detectar sobretudo explosivos, que podem ser usados em atentados terroristas. O sistema começou a ser implantado há um ano e meio, e ficou pronto para a Olimpíada, como previa a direção do terminal.

Antes disso, tanto os passageiros quanto as malas dos viajantes eram vistoriadas, mas não havia segurança em relação ao que trafegava dentro dos porões das aeronaves rumo ao Exterior. A única exceção era para os Estados Unidos, porque os americanos exigem a fiscalização do país em que a carga é exportada. A inspeção total começa a vigorar oficialmente a partir de 1º de agosto, mas na prática já está funcionando há um mês e meio — quando começou a ser testada.

A legislação brasileira só determina que haja uma área específica de segurança nos aeroportos, mas não que todas as cargas passem por vistoria. Mas Viracopos se adiantou nesse quesito, investindo R$ 15 milhões entre máquinas, recursos humanos e alteração de todo layout do fluxo de operação do terminal de exportação.

O sistema dispõe de dois aparelhos de raio x de ponta, um só para narcóticos e outro para explosivos e narcóticos. Ambos têm dois leitores cada um (dual view), captando os objetos tanto vertical quanto horizontalmente. São produzidos pela multinacional Smiths, e são os únicos exemplares no Brasil.

Além disso, o sistema conta com cães que farejam drogas e explosivos. “No caso das frutas, por exemplo, a densidade não permite que o raio x detecte com precisão do que se trata. Já os cachorros, treinados nos Estados Unidos, agem com 99% de precisão nesse aspecto”, informa o gerente de segurança de Viracopos, Samuel Conceição da Silva.

“Hoje, com exceção dos EUA, onde é obrigatória a inspeção de origem, a inspeção de cargas em aeronaves que vão para outros países, como para a Europa, por exemplo, deixa a desejar. O passageiro dos voos comerciais não sabe o que as aeronaves levam no porão. E isso é gravíssimo. Diversos atentados mundo afora foram feitos em aeronaves cargueiras, ou então em bagagens despachadas em porões das aeronaves”, complementa.

Com a combinação dessas medidas (máquinas e cães), “Viracopos montou uma cadeia segura, desde a chegada da carga ao aeroporto até o embarque na aeronave”, afirma o gerente de novos negócios do terminal, Gilberto Pedreira. “Fizemos uma análise de risco do nosso armazém e descobrimos várias falhas operacionais no quesito segurança. A nossa preocupação é de que hoje algumas companhias aéreas não inspecionam a carga. Nós somos fiéis depositários e queremos saber exatamente o que está entrando em nosso terminal”, acrescenta.

“O passageiro quando vai ao Exterior muitas vezes não sabe nem no que está ‘sentado’. Peru e Colômbia já fiscalizam 100% das cargas exportadas. Mas, não Brasil não existe essa preocupação. Só que em Viracopos a segurança é prioridade”, afirma.

Os sistemas preveem que a Receita Federal e a Polícia Federal tenham acesso simultâneo às imagens de todo o processo de inspeção de cargas. Hoje há pelo menos 110 câmeras instaladas no armazém.

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Raquel Valli