Publicado 25 de Julho de 2016 - 20h50

Por Shana Pereira

Forças Armadas iniciaram operação especial para os Jogos Olímpicos Rio 2016, ocupando vias expressas: com proximidade do evento, aumenta preocupação com a segurança

Divulgação

Forças Armadas iniciaram operação especial para os Jogos Olímpicos Rio 2016, ocupando vias expressas: com proximidade do evento, aumenta preocupação com a segurança

O suspeito Marcos Mário Duarte, de 42 anos, preso em Campinas na última semana durante a operação Hashtag da Polícia Federal (PF), era monitorado pelo FBI. Ele é um dos 12 presos apontados por envolvimento com o Estado Islâmico (EI) e por planejarem atentados terroristas. Um memorando do FBI enviado à PF informou ao governo brasileiro que grupos que apoiam o EI poderiam colocar em risco a realização da Olimpíada no País.

O documento expedido à PF menciona seis pessoas relacionadas ao terrorismo. Entre elas, duas foram presas na operação — um deles Duarte, que se converteu ao islamismo há 13 anos e é conhecido como Zaid Mohammad Abdul Rashmon Duarte, natural de São Luís do Maranhão. Ele morava em Amparo, mas trabalhava como entregador em uma empresa do ramo de alimentação no Jardim Ipaussurama, em Campinas, onde foi preso.

A declaração também cita o nome de Alisson Luan de Oliveira, de Saquarema, Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas no último domingo, no programa Fantástico, da Rede Globo, o memorando foi enviado em 6 de maio deste ano, e “o FBI informou que os brasileiros que utilizam as redes sociais para prestar apoio ao Estado Islâmico poderiam representar ameaça para a segurança nacional e a Olimpíada no Rio de Janeiro.”

De acordo com o juiz Marcos Josegrei da Silva, titular da 14ª Vara Federal de Curitiba, em entrevista para emissora, a PF adicionou esses nomes a outras pessoas que se relacionavam e tratavam o mesmo tema, postavam mensagens semelhantes e se manifestavam da mesma forma sobre o tema. Ele afirmou ainda que os presos postavam vídeo de execuções e atentados do EI.

A Justiça autorizou a quebra de sigilo telefônico e de dados para que fosse comprovada a tentativa de organização para atos terreoristas. “Quando as pessoas mencionam que estão dispostos e podem ter acesso a armamentos e meios de concretizar esse tipo de ato, elas ingressam em atos preparatórios. Alguém que se dispõe a integrar mesmo que à distância pode realizar a qualquer instante um ato concreto que demostre a sua afirmação perante a este tipo de organização”, disse Silva.

A operação realizada na semana passada prendeu 12 pessoas em oito estados. No domingo, em conjunto com a Polícia Militar do Mato Grosso, a PF prendeu Leonid el Kadre de Melo, de 32 anos, que estava foragido e foi capturado no município de Comodoro, em Mato Grosso. A cidade fica localizada a 656 Km de Cuiabá.

Hashtag

Na última quinta-feira cerca de 130 policiais participaram das prisões. Intitulada Hashtag, a operação policial foi a primeira após a publicação da Lei Antiterrorismo brasileira que entrou em vigor em março deste ano. Segundo a PF, os investigadores acompanhavam desde abril as redes sociais por meio da Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal (DAT), já que participantes de um grupo virtual denominado Defensores da Sharia planejavam adquirir armamentos para cometer crimes no Brasil e até mesmo no Exterior.

A reportagem tentou contato com a defesa de Duarte, mas até o fechamento desta edição ninguém foi localizado. As informações não foram divulgadas oficialmente pela PF, que comunicou apenas que as investigações dos suspeitos correm em segredo em Justiça.

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Shana Pereira