Publicado 25 de Julho de 2016 - 20h03

Por Alenita Ramirez

Busca de informações em hospital e plano de saúde evita armadilha

Cedoc/RAC

Busca de informações em hospital e plano de saúde evita armadilha

Golpistas que se passam por médicos para pegar dinheiro de famílias com parentes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) voltaram a atacar neste fim de semana. Dois boletins de ocorrências foram registrados no 4º Distrito Policial (DP), no Bairro Taquaral, no sábado.

O falso médico tentou extorquir cerca de R$ 5 mil de cada vítima, mas elas só não caíram no golpe porque antes pediram orientação do plano de saúde e do hospital. Os casos aconteceram no Centro Médico de Campinas (CMC) e serão investigados pelo 7º DP, de Barão Geraldo. “Os estelionatários são oportunistas e costumam agir à noite ou finais de semana, quando não há policiamento ostensivo e as delegacias de plantão funcionam com pouco funcionários”, disse um policial civil que não quis ser identificado.

Nas duas tentativas o estelionatário se passou por médico da UTI e pediu entre R$ 4 e R$ 5 mil para as vítimas, alegando que necessitava fazer um exame de urgência no paciente e que o procedimento não era liberado de imediato pelo convênio médico. “O homem sabia de muita informação do meu pai. Ele pediu para que eu depositasse R$ 4,5 mil e como era muito dinheiro disse que falaria com minha família”, contou o aposentado Renato Lazarini, de 58 anos. “Como eu gosto de me informar sobre tudo, liguei no convênio e perguntei porque não liberaram o exame e lá me informaram que não existia nenhum pedido e nada foi negado. Liguei no hospital e também me disseram que não havia nenhum pedido”, completou.

O pai de Lazarini, de 86 anos, sofreu uma queda em casa e fraturou o úmero. O idoso passou por cirurgia na semana passada. “O golpista ligou na minha casa e falou que meu pai estava com leucemia e precisava fazer um exame com urgência. Na hora fiquei em choque, mas, mesmo assim, procurei não me abalar”, disse.

Ao descobrir que se tratava de um golpe, o aposentado ligou no 190 e foi até a delegacia. Cerca de três horas antes, a diarista Daniela dos Santos Brito, de 38 anos, também foi procurada pelo golpista. O homem exigiu R$ 5 mil para fazer um exame de urgência no sogro dela, que está internado no Centro Médico com um problema no intestino. “O cara tem uma lábia fora do normal. Eu estava acreditando em tudo, mas quando ele se recusou em receber em dinheiro e me passou o número de uma conta, que era de outro Estado e o número do celular, achei estranho. Então combinei com ele um horário para retornar a ligação e liguei no convênio e no hospital”, contou.

Daniela disse que no CMC ficou sabendo através de outros pacientes que uma idosa havia caído no golpe e depositou R$ 4 mil, que pegou emprestado. Ela só descobriu o golpe quando foi visitar o parente. “O falso médico dá informações do paciente que somente funcionários do hospital sabem. Seria bom os hospitais atentarem mais”, disse.

Essa não é a primeira vez que este tipo de golpe é aplicado em hospitais de Campinas. No dia 10 deste mês, a direção do Hospital Mário Gatti abriu sindicância para apurar suposto envolvimento de funcionário no golpe, que induziu a família de um adolescente de 17 anos a pagar cerca de R$ 1,5 mil para um falso exame. “É importante que as vítimas registrem a ocorrência para informar a Polícia Civil. Sem a comunicação não tem como a polícia investigar”, orientou um investigador.

Em nota, a direção do Centro Médico disse que o faturamento e cobrança de procedimentos que por ventura aconteçam, por não serem cobertos pelo plano de saúde do paciente, ocorrem somente no momento da alta. “Telefonemas serão realizados apenas quando necessário e após a alta hospitalar. Neste caso, o responsável é orientado a comparecer no Centro Médico, sendo que nunca será informada uma conta bancária para que o usuário faça pagamentos sem comparecer no hospital”, frisou e acrescentou que “nenhum tipo de informação sobre pacientes é repassada por telefone, assim como esclarecimentos sobre diagnósticos ou tratamentos são sempre realizados pessoalmente”.

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Alenita Ramirez