Publicado 22 de Julho de 2016 - 17h49

Por Moara Semeghini

Moradores de rua, instalados próximos à Catedral, obstruem a via pública e são ameaça, segundo policial da Guarda Municipal

Carlos Sousa Ramos/AAN

Moradores de rua, instalados próximos à Catedral, obstruem a via pública e são ameaça, segundo policial da Guarda Municipal

Uma ação da Guarda Municipal (GM) na manhã desta sexta-feira (22) revoltou moradores de rua que vivem na Praça José Bonifácio, conhecida como Largo da Catedral, no Centro de Campinas. O grupo acusa a GM de agir com truculência e de ter usado spray de pimenta durante uma abordagem em frente à Catedral Metropolitana. A equipe da GM, que realiza a patrulha diária na região central, fez a averiguação do grupo depois de ter recebido uma denúncia anônima (pelo telefone 153) com reclamação sobre a sensação de insegurança do local.

A moradora de rua Lohanne Valentim, de 40 anos, afirmou que um dos guardas que fazia a ronda se desentendeu com um garoto que mora na praça e que, pouco depois, ele teria voltado, abordado as pessoas e confiscado seus pertences. “Ali tinha roupas, produtos de higiene, roupas, acessórios. A polícia acha que é a dona de toda a situação e levou tudo, tudo o que tinha”, queixa-se. Ela e outros companheiros estavam revoltados, agrupados ao lado de suas malas e sacolas. “As pouquíssimas coisas que temos aqui, agora, não representa nem um terço do que a gente tinha. Foi pura má-fé e abuso de autoridade”, acusa Lohanne. “Aqui ninguém rouba, aqui ninguém trafica... eles nos tratam como vândalos”.

A equipe da GM que realizou a abordagem disse à reportagem que foram apreendidas facas, pedaços de madeira e barras de ferro entre os pertences. “Eles escondem esses materiais entre as barracas de comerciantes e usam para furtos e assaltos”, afirmou um guarda que preferiu não se identificar. “A grande maioria desses moradores do Centro são ex-presidiários. Todos têm passagem pela polícia por homicídio, tráfico, estupro...”, afirmou o policial. “Eles sempre vão falar mal da polícia”, concluiu. Segundo eles, a população fica apreensiva ao atravessar a praça. “Além de obstruírem a via, são uma ameaça, pois muitos transeuntes reclamam que têm medo de passar, pois já foram assaltados várias vezes”, completou outro membro da equipe de policiamento.

Apoio

A comerciante Ketullin Carvalho, de 30 anos, apoiou a ação da guarda. “É mentira. Não houve nenhum abuso de autoridade aqui. No meio das sacolas tinha drogas, objetos roubados... e até um saco cheio de fezes! E é simples provar, basta pegar as imagens da câmera na esquina (equipamento instalado entre a Rua 13 de Maio e José Paulino)”. Kerullin afirmou que, depois das 19h, a população evita passar pelo local por conta do número de roubos. “Escureceu, some todo mundo daqui, o comércio fecha as portas, pois entre os moradores têm muitas pessoas de má índole”, diz.

A comerciante disse ainda que esses moradores recebem tratamento médico e comida de programas assistenciais e ONGs, mas que se recusam a seguir para albergues da Prefeitura. “Ele têm que dormir lá e não podem beber, usar drogas e assaltar”, completou.

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Moara Semeghini