Publicado 21 de Julho de 2016 - 22h52

Por Adriana Leite

Desalento: vagas oferecidas pelo CPAT caíram mais da metade este ano

Carlos Sousa Ramos/AAN

Desalento: vagas oferecidas pelo CPAT caíram mais da metade este ano

A rotina dos desempregados em Campinas é dura neste ano em que as vagas de empregos estão escassas. A oferta de novas oportunidades despencou 50,95% no Centro Público de Apoio ao Trabalhador (CPAT) no primeiro semestre, de 7.463 oportunidades de janeiro a junho de 2015 para 3.661 no mesmo período de 2016.

A demora na recolocação afeta a capacidade de procura dos candidatos por um emprego. Sem dinheiro para o transporte público, os trabalhadores deixam de ir aos serviços de intermediação de mão de obra ou andam longas distâncias para levar currículos e fazer entrevistas.

Por isso, o CPAT também registrou queda na quantidade de pessoas buscando por uma vaga de trabalho em relação ao ano passado. No acumulado de janeiro de junho de 2015, o serviço atendeu 102.670 pessoas. Neste ano, foram 86.237 trabalhadores, um recuo de 16%.

A direção do centro de atendimento percebeu que os trabalhadores estão com dificuldades para bancar a passagem de ônibus ou o combustível do carro. A coordenadora do CPAT, Sílvia Helena Duenha Garcia, afirmou que a situação se agravou neste ano.

“Registramos uma queda de quase 51% na oferta de vagas de trabalho no primeiro semestre. E notamos que, além de não criarem novas oportunidades, as empresas não estão mais repondo postos. Elas demitem e fecham as vagas”, disse.

Ela comentou que não há dados precisos sobre o tempo em que os trabalhadores esperam para conseguir um novo emprego. “Depende da função e também da qualificação. Mas ouvimos relatos de pessoas que antes demoravam de quatro a seis meses para se recolocar e hoje já estão há oito meses em busca de uma nova oportunidade”, observou.

Na fila do desemprego por mais tempo, os trabalhadores ficam sem dinheiro no bolso e diminuem o ritmo de busca por uma nova oportunidade. “Sem dinheiro para o ônibus ou para abastecer o carro, fica mais complicado ir aos postos de atendimento. Vários trabalhadores relatam que caminham quilômetros para chegar no CPAT. Estamos orientando a checar as vagas no cadastro do sistema nacional pela internet”, comentou a coordenadora.

Recolocação difícil

Os dados da Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho reforçam o recuo do mercado de trabalho. A ofertas de vagas no sistema do órgão na região de Campinas caiu de 18.532 oportunidades no primeiro semestre de 2015 para 13.744 neste ano. A diminuição foi de 26%.

Números tão alarmantes deixam o dia a dia de quem procura por um novo emprego cheio de percalços. Desempregada há cinco meses, Edna Franco, de 45 anos, teve que mudar para a casa de parentes. “Estou morando com minha irmã e sobrevivendo com o seguro-desemprego”, contou. A ex-encarregada de produção disse que procura emprego todos os dias. “Já aconteceu de não ter dinheiro para pagar a passagem e tive que pedir carona para os motoristas dos ônibus”, afirmou.

O armador de ferragem Paulo Emerson Barbosa, de 25 anos, caminha por quilômetros em busca de trabalho. “Moro no Parque Oziel e já vim a pé até o Centro de Campinas para buscar emprego”, disse. Ele comentou que enquanto não encontra um novo emprego na sua área de atuação, sobrevive fazendo bicos. O rapaz está desempregado há cinco meses.

A solidariedade da família da atendente de loja Marília Fátima Ferreira, de 28 anos, permite que ela use o transporte público para procurar emprego. Ela empresta o bilhete único de familiares para ir entregar currículos e responder a entrevistas de trabalho.

Os trabalhadores lembraram que Campinas já teve um programa que oferecia passe para as pessoas desempregadas, mas o benefício foi extinto. A Secretaria de Trabalho e Renda informou que o benefício do “passe desemprego” foi cancelado em administrações anteriores à do prefeito Jonas Donizette (PSB).

“Ao identificar a necessidade, o secretário municipal de Trabalho e Renda, Arnaldo Salvetti Palácio Jr., levou a reivindicação até o prefeito, que reagiu de forma positiva à volta do benefício", informou o órgão por meio de nota, lembrando, contudo, que “por se tratar de ano eleitoral, o passe não foi implantado para que não fosse interpretado como compra de voto”, e concluiu afirmando que o assunto “voltará a ser discutido após as eleições”.

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Adriana Leite