Publicado 21 de Julho de 2016 - 22h35

Por Jaqueline Harumi

Flávio Nadruz Novaes, diretor do Centro de Tratamento de Queimados, confere os equipamentos novos

Edu Fortes/AAN

Flávio Nadruz Novaes, diretor do Centro de Tratamento de Queimados, confere os equipamentos novos

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) passou a contar esta semana com uma unidade especializada no atendimento de vítimas de queimaduras com 12 leitos, que até então precisavam ser atendidas em hospitais de Limeira, Bauru, Ribeirão Preto e São Paulo.

A Irmandade de Misericórdia de Campinas, composta pelo Hospital Irmãos Penteado e Santa Casa, inaugurou na terça-feira o Centro de Tratamento de Queimaduras (CTQ) em uma área de mil metros quadrados.

Com investimento de R$ 3 milhões em reforma e compra de equipamentos e teto de repasse mensal de R$ 568 mil para o funcionamento, a unidade possui Centro Cirúrgico, Unidade de Terapia Intensiva e Ambulatório para atender pacientes do Sistema Único de Saúde e de convênios.

Os custos mensais a princípio serão cobertos com recursos municipais. “Nós já pedimos a habilitação da unidade no Ministério da Saúde, o que pode levar meses e até anos. Nós temos situações em que a unidade foi habilitada e não foi pago. Dois exemplos são o Hospital Ouro Verde e a UPA. Então nós não podemos esperar”, explicou o secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza. De acordo com a Prefeitura, a cidade tem em média 75 casos de queimaduras por mês, sendo cinco graves e que exigem intervenções cirúrgicas e corretivas.

Com o objetivo de atender a demanda de toda RMC, o CTQ possui 12 apartamentos com capacidade para receber 20 leitos e equipes de suporte para o processo de reabilitação física, recuperação e reintegração psicossocial e profissional dos assistidos, através de um programa de serviços multidisciplinares, com atendimento em assistência social, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional.

Apesar da expectativa, Campinas ainda terá um déficit de 27 leitos conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de haver um leito de queimados para cada 30 mil habitantes — com população estimada em 1,16 milhão, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estimativa (IBGE), a cidade deveria ter 39 leitos.

Na direção do CTQ está o médico e cirurgião plástico Flávio Nadruz Novaes, que exerceu o mesmo cargo na ala de queimados em Limeira e também foi presidente da Sociedade Brasileira de Queimados. Novaes afirmou que o CTQ será referência nacional não apenas no tratamento de pacientes, mas em pesquisa e ensino com participação direta dos estudantes de medicina das quatro universidades da cidade. Na época, a Irmandade de Misericórdia assinou acordo com a Prefeitura e cinco instituições apoiadoras - Aeroportos Brasil Viracopos, CPFL, Sanasa, Petrobras e Bradesco.

Com expectativa inicial de inauguração no fim de 2014, o superintendente da Irmandade, William Rondini, explica que o atraso foi decorrente de adequações do convênio. “Nós fizemos o distrato do convênio anterior e formalizamos um novo convênio com 10 leitos de tratamentos de queimadura e dois de UTI de queimados mais 29 leitos de internação para pacientes clínicos do SUS e mais dois leitos de UTI adulto, totalizando 41 leitos”.

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Jaqueline Harumi