Publicado 21 de Julho de 2016 - 22h31

Por Inaê Miranda

Residencial Pq. Valença: político é proprietário de um apartamento no local; prestação de contas questionada

Carlos Sousa Ramos/AAN

Residencial Pq. Valença: político é proprietário de um apartamento no local; prestação de contas questionada

O vereador Paulo Galterio (PSB) foi condenado a pagar R$ 4.077,66 referentes ao atraso no pagamento de condomínio. O valor deve ser acrescido de multa e correção, o que daria nesta sexta-feira algo em torno de R$ 5,3 mil, fora as verbas condominiais vencidas e as custas processuais, conforme a decisão do juiz da 2ª Vara Cível de Campinas, Fabrício Reali Zia, do dia 30 de junho. O político é proprietário de um apartamento no Condomínio Residencial Parque Valença 1D e, segundo moradores, desde que adquiriu o imóvel não pagava o condomínio. Como a ação foi julgada em primeira instância, Galterio ainda pode recorrer da decisão.

Vizinhos do político, que preferiram não se identificar por medo de represália, disseram que ele não mora no local e o apartamento está vazio. Informaram que ele usava o cargo de síndico para não pagar a taxa do condominial. “Foi síndico por duas gestões e queria a terceira. Chegou à reunião com a pauta mudada, dizendo que não ia ter eleição e que ele podia seguir administrando”. Os moradores, entretanto, vetaram, alegando que ele não prestava conta dos gastos. Houve confusão e foi preciso acionar a polícia. “Saiu daqui escorraçado. Queria ser o síndico de qualquer jeito”, afirmou um condômino. “Não sabia o que tinha sido pago e o que não tinha. Quando pedíamos prestação de contas, prometia e nunca trazia. Não tinha livro ata”, acrescentou outro.

Os vizinhos ainda o acusam de ter deixado uma série de contas atrasadas e o caixa do condomínio sem recursos. Insatisfeito com a destituição, segundo os moradores, o político teria recorrido à Justiça para ter o cargo de síndico de volta. Além disso, entrou com uma ação contra o condomínio cobrando os honorários advocatícios de Alex Zanco, seu chefe de gabinete desde janeiro 2013. Alex foi procurado pela reportagem na quarta-feira, mas até o fechamento desta edição, na noite desta quinta-feira, não retornou os recados. Galterio foi procurado pela reportagem, mas não quis falar sobre o assunto.

O político também atualmente presta serviços como advogado da empresa Thay Serviços de Apoio em Edifícios LTDA, registrada em nome de Ana Caroline Galtério, Thayara Patrícia Galtério. A empresa administra pelo menos dois condomínios no Residencial Sirius, que tiveram a energia cortada por falta de pagamento. Em um deles, o Campo das Orquídeas, ele chegou a ser retido por quase quatro horas pelos moradores, que cobravam uma satisfação e a prestação de contas das despesas e receitas do prédio.

Em uma reunião condominial, os moradores prometeram reivindicar a administração. Na ocasião, ele afirmou que tinha apenas um mês de atraso na conta de luz, referente a junho, e que o corte ocorreu por falha da CPFL Paulista, que não enviou o aviso de corte. A empresa informou que o cliente estava inadimplente e recebeu reaviso de cobrança, que foi emitido na conta posterior.

A distribuidora esclareceu ainda que os procedimentos de corte e prazos regulados foram cumpridos. Galterio afirmou que o condomínio deveria arrecadar cerca de R$ 14 mil ao mês, mas metade dos moradores não pagava. “Recebemos R$ 9 mil este mês porque 40% não paga. Aqui, metade não paga e a dívida foi para justiça, por isso estão revoltados”, disse à reportagem.

Galterio aparece como processado em pelo menos 18 ações no Tribunal de Justiça (TJ), em ações que vão desde execuções fiscais por parte do Estado e de Campinas até reintegração de posse, em que foi acusado de invadir um terreno no Parque Valença 2, na região do Campo Grande. Também aparecia em 32 processos registrados no Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conforme levantou o Correio em 2013. Naquele ano, Galterio foi acusado de se apossar de um campo de futebol público, passando a cobrar pelo uso dele. O caso foi parar na corregedoria da Câmara de Campinas, mas foi arquivado, segundo o vereador corregedor Jorge Schneider, porque a pessoa que fez a denúncia disse que não falaria mais. “Disse que achava que se equivocou e não tinha como tocarmos em frente”, disse o vereador.

Lamentável

Schneider classificou como lamentável as denúncias envolvendo o colega e disse que a corregedoria precisa ser provocada para atuar. “Precisaríamos que alguém fizesse a denúncia ao presidente ou iniciasse uma queixa contra o vereador perante o presidente da Câmara que vai pegar os fatos e mandar para Corregedoria”. Disse ainda que a Câmara não deve se calar perante as ameaças feitas à reportagem e que entende que, enquanto chefe de gabinete, Alex Zanco, deveria atuar apenas com tal.

“Durante 24 horas ele é chefe de gabinete. Mas se acaso houver questionamento de alguém à presidência e for enviado à corregedoria, vou apurar e apontar para o jurídico da Câmara dizer se é ou não possível ele trabalhar no gabinete e exercer a função de advogado”, disse.

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Inaê Miranda