Publicado 20 de Julho de 2016 - 20h31

Por Gustavo Abdel

Assembleia realizada no auditório da Associação dos Docentes (Adunicamp)

César Rodrigues/AAN

Assembleia realizada no auditório da Associação dos Docentes (Adunicamp)

Os docentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) promoveram um momento histórico na tarde de quarta-feira (20), durante a assembleia extraordinária realizada no auditório da Associação dos Docentes (Adunicamp). A maioria dos 446 professores decidiu manter a comissão que tenta sustentar a conciliação entre estudantes grevistas e docentes, e assim resolver na base do diálogo o momento de tensão que vive o campus. Dentre os itens, os professores vetaram moção que solicitava à reitoria a apuração de fatos envolvendo agressões a professores e também moção que pediria segurança ao trabalho deles.

Há três semanas alguns alunos que integram o movimento grevista tenta impedir professores de determinados institutos, principalmente da Engenharia, Química e Matemática, de aplicarem provas de exame ou lecionarem na tentativa de encerrar o calendário acadêmico. Alunos estão tendo as notas do primeiro semestre zeradas em diversas disciplinas.

Ao final das votações de quarta, o presidente da Adunicamp, Paulo Cesar Centoducatte, afirmou que aquele momento se assemelhava ao movimento de greve de 1988, que teve mais de 80 dias de paralisação e mobilizou professores, funcionalismo público e alunos que reivindicaram aumentos salariais e investimentos nas universidades.

Apesar de a atual greve dos professores ter sido suspensa no último dia 30 de junho, o primeiro item da pauta tratava do encerramento dela. No entanto, no entendimento do plenário, esse item foi descartado da pauta uma vez que o corpo docente já havia voltado ao trabalho, ao aceitar os 3% oferecidos pela reitoria. A categoria reivindica aumento de 12,3%. Naquela ocasião os professores afirmaram que se manteriam mobilizados pela “luta em defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada”. E que a comissão de mobilização da categoria continuaria com as programações dos debates e eventos realizados na universidade.

Porém, o segundo item da pauta colocada em votação, nesta quarta, foi o desmantelamento dessa comissão. Por causa da grande quantidade de docentes, a associação encontrou em cartões coloridos a alternativa para a votação dos presentes. A maioria votou a favor da permanência da comissão de mobilização e sua ampliação. Docentes e parte do movimento dos alunos grevistas aplaudiram a decisão. “Com essa votação ficou reforçado o caminho do diálogo”, disse Centoducatte.

Moções

Os dois itens finais da pauta foram as moções que solicitavam à reitoria a apuração de fatos envolvendo agressões a professores e que pedia segurança ao trabalho deles. Ambas foram vetadas pelo plenário, também sob aplausos. Antes da votação o professor do Instituto de Química Adalberto Bassi leu o conteúdo do documento e, em relação a apuração das agressões, a moção pedia a criação de comissões disciplinares para apurar os fatos.

Esta semana, cinco diretores de institutos da área de Humanas da Unicamp enviaram uma carta solicitando a busca de acordo por meio da negociação pacífica, no momento de “exacerbamento das relações dentro da comunidade que compõe a Unicamp”.

No texto, os diretores manifestaram repúdio ao emprego de violência ou coação física por parte de qualquer categoria da comunidade universitária. “Louvamos o empenho de todos aqueles, docentes ou não, que têm contribuído para a reintrodução do diálogo como modo natural de resolução de divergências políticas, e também a maneira pela qual a reitoria, de forma perseverante, tem buscado soluções negociadas para os conflitos que afligem a Unicamp.”

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Gustavo Abdel