Publicado 20 de Julho de 2016 - 17h39

Por Raquel Valli

Multidão aguarda a chegada da tocha olímpica em Campinas

Raquel Valli/AAN

Multidão aguarda a chegada da tocha olímpica em Campinas

A passagem da tocha olímpica por Campinas, nesta quarta-feira (20), mesclou alegria, festa e protestos. Cerca de 7 mil pessoas se aglomeraram na Estação Cultura à espera do símbolo dos Jogos do Rio-2016, que chegou às 17h47, com 47 minutos de atraso, vindo de Americana, após passar por Limeira e Rio Claro.

A nadadora Fabiana Sugimori, ganhadora de duas medalhas de ouro paralímpicas, foi a primeira a conduzir a tocha em Campinas. Ao todo, 77 pessoas se revezaram pelo percurso de 15,4km, passando pelos principais pontos da cidade, como os estádios do Guarani e da Ponte Preta, o Centro de Convivência e Prefeitura. A pira foi acesa na Praça Arautos da Paz, ponto final do evento. Nesta quinta-feira, a chama seguirá para Indaiatuba, Itu, Jundiaí e Osasco.

Multidão aguarda a chegada da tocha olímpica em Campinas

Cada um dos 77 condutores da tocha percorreu 200m com o fogo olímpico em mãos até que ele chegasse à Praça Arautos da Paz. Na sequência, houve um show com a Família Lima.

Entre os atletas que participaram do revezamento estavam o jogador de vôlei Maurício Lima, bicampeão olímpico (Barcelona 1992 e Atenas 2004) e o alpinista Rodrigo Raineri, que já escalou o Monte Everest três vezes. A última a carregá-la foi a ex-jogadora Mariléia dos Santos, mais conhecida como Michael Jackson, que integrou a Seleção Brasileira de futebol por 12 anos, participando de uma Olimpíada e duas Copas do Mundo — incluindo a de 1991, a primeira disputada pela seleção feminina.

A auxiliar de limpeza Neucimara Ferreira da Costa, de 41 anos, foi uma das primeiras a chegar à Estação Cultura ontem. “Moro no Jardim Monte Cristo e cheguei às 15h30 para poder pegar esse lugar na frente. Estou muito feliz de estar aqui. Desde criança sou muito fã de esportes”, contou.

Antes da tocha chegar, 60 atletas de Campinas que não puderam carregar a chama foram homenageados pela Prefeitura com a Medalha de Mérito Esportivo. “Para a gente isso é gratificante, porque o nosso trabalho é reconhecido através dessa homenagem”, declarou Alexandre Cândido, dirigente da equipe de basquete de cadeira de rodas de Campinas, atual campeã paulista e vice-campeão brasileira da modalidade.

Protesto

Cerca de 50 pessoas, entre estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professores da rede pública e membros de movimentos sociais fizeram um protesto pacífico em frente à Estação Cultura.

“As Olimpíadas são uma reedição do que a gente já viu na Copa (do Mundo de 2014). A gente não é contra o esporte, mas contra o superfaturamento das obras e contra todo o uso político que se faz nesses Jogos”, afirmou o professor de sociologia Danilo Magrão. “A gente se organizou pelo Facebook e pelo WhatsApp para expressar a necessidade da população de ter serviços de melhor qualidade”, completou.

Para a Prefeitura, as manifestações fazem parte do regime democrático. “Os protestos são naturais”, disse o secretário de Esportes e Lazer Dário Saadi, uma das autoridades presentes que representaram o Poder executivo.

A segurança na Estação Cultura, onde chegou a tocha, e na Arautos da Paz, onde o evento se encerrou, foi feita pela Guarda Municipal. “Temos 180 homens envolvidos na operação”, informou o inspetor Márcio Frizarin, subcomandante da GM.

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