Publicado 19 de Julho de 2016 - 21h36

Por Raquel Valli

Rua Pedro Antônio de Andrade, no Parque Universitário de Viracopos, onde a rede de esgoto entupida impede moradores de três casas de usarem o banheiro

César Rodrigues/AAN

Rua Pedro Antônio de Andrade, no Parque Universitário de Viracopos, onde a rede de esgoto entupida impede moradores de três casas de usarem o banheiro

Pelo menos três casas da Rua Pedro Antônio de Andrade no Parque Universitário de Viracopos em Campinas estão com a rede de esgoto entupida há uma semana. Para poderem usar o banheiro, os moradores estão indo ao shopping Spazio Ouro Verde, que fica a cerca de duas quadras, ou apelam para vizinhos que moram em outras ruas.

De acordo com funcionários da Sanasa, o problema é recorrente e causado devido à falta de rede pluvial em uma das casas, que entope a rede de esgoto, gerando o problema em cascata. “É horrível”, afirma o operador de produção Ailson Roberto Gomes, de 32 anos, que vai ao shopping pelo menos duas vezes por dia.

“Em casa, só consigo urinar. E ainda dando a descarga com cuidado, bem devagarinho, pois a água volta”. Gomes chegou a enfiar uma mangueira no vaso sanitário para tentar drenar o líquido, sem sucesso.

A moradora Clarice Roxinol, de 50 anos, vizinha de Alison, diz que consegue ir ao banheiro na casa de outra vizinha, algumas quadras de onde mora. “É muito desconforto, né? Se a gente usa em casa, a descarga não desce”, diz. Com receio de que o problema se estendesse para as torneiras, o que seria tecnicamente impossível, Clarice está há uma semana sem lavar roupa. Na pia, a louça também está acumulada. “Tenho medo”, diz. 

A moradora afirma que o problema de esgoto é recorrente na rua.

Três funcionários da Sanasa — Sociedade de Abastecimento de Água e Sanamento de Campinas — que estavam na rua na manhã de terça-feira(19)  reparando um outro problema, confirmaram a versão de Clarice. Eles afirmam que em uma das casas não há rede pluvial, e que a água da chuva é despejada na rede de esgoto, entupindo-a ou danificando-a.

“É preciso ter redes separadas. A rede de esgoto é feita pela Sanasa, mas a pluvial é o morador que tem que fazer, mas aqui não existe isso. A ligação é clandestina. E aí, o problema de uma casa reflete nas outras, porque a rede funciona em cascata, como uma mangueira”, declarou um funcionário da autarquia, que não quis se identificar.

Na casa supostamente responsável pelo problema mora Valdecir da Cunha Soares, de 70 anos, que a reportagem encontrou sentada em um banco improvisado na porta. “Tem alguma coisa entupida, sim”, afirmou. Quanto a construção da rede pluvial, ela disse que não tem recursos suficientes para fazer. “Sou pensionista”, respondeu.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Sanasa informou que uma equipe foi à casa na terça e desobstruiu a rede de esgoto danificada, mas que a obra completa levará aproximadamente três dias. 

Escrito por:

Raquel Valli