Publicado 19 de Julho de 2016 - 19h48

Por Gustavo Abdel

Aedes transgênicos na palma da mão do secretário da Saúde, durante a soltura na manhã desta terça

Christiano Diehl Neto

Aedes transgênicos na palma da mão do secretário da Saúde, durante a soltura na manhã desta terça

Após redução de 91% no número de casos de dengue no bairro Cecap/Eldorado, onde vivem 5 mil pessoas, a região central de Piracicaba passou a receber nesta terça-feira (20) o mosquito transgênico, conhecido como “Aedes aegypti do Bem”. Onze bairros, totalizando uma área equivalente a 1.754 campos de futebol, receberão os mosquitos modificados para combater o transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. A expansão levará dois anos e contará com investimento de R$ 3,5 milhões.

Além da ampliação para a região central da cidade, a Oxitec do Brasil, dona da tecnologia, irá prorrogar por mais um ano o projeto realizado desde abril de 2015 no bairro Cecap/Eldorado. Nesse bairro, de acordo com balanço divulgado na semana passada pela Prefeitura e a empresa, foram registrados 12 casos de dengue no ano 2015/2016, ante 133 registros no período de 2014/2015.

O bairro São Judas foi o primeiro da região central a receber os transgênicos ontem. “Na região central irá ajudar a proteger a saúde de pelo menos 60 mil pessoas. Após o São Judas, iremos começar o tratamento dos outros dez bairros até o final de 2016. E esperamos obter os primeiros resultados após três a seis meses de uso do Aedes do Bem”, afirmou Glen Slade, diretor da Oxitec do Brasil.

A empresa informou que a soltura acontece após mais de sete semanas de engajamento público em que técnicos da Oxitec, com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde, explicaram à população de Piracicaba o que é e como age o Aedes do Bem. A campanha irá continuar nos próximos meses com spots de rádio, além dos outdoors e anúncios em jornais e das tendas em pontos de grande circulação.

Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa CW7 no início de junho de 2016 apontou que 97,6% dos cidadãos piracicabanos apoiam o uso de ferramentas para combater dengue, zika vírus e chikungunya e que 88,3% apoiam o uso do Aedes do Bem. “O projeto do Aedes do Bem no Cecap/Eldorado é um sucesso, mas é importante lembrar que o Aedes do Bem não trabalha sozinho. É fundamental a população continuar a eliminar criadouros, manter a casa limpa e seguir as orientações dos agentes para evitar a proliferação do transmissor da dengue”, pediu o secretário de Saúde Pedro Mello.

Mosquito

Os mosquitos modificados não transmitem doenças nem picam as pessoas por serem machos. Eles se reproduzem com as fêmeas, mas carregam um gene que faz com que os larvas morram antes de chegar à fase adulta.

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Gustavo Abdel