Publicado 18 de Julho de 2016 - 22h36

Por Gustavo Abdel

Ronaldo de Souza dirigia o Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura quando houve desvio

Cedoc/RAC

Ronaldo de Souza dirigia o Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura quando houve desvio

Quatro anos após a abertura de sindicância para apurar o sumiço de 144 pranchas de madeira (cedro-rosa) que seriam utilizadas na reforma da Caravela Anunciação, na Lagoa do Taquaral, uma comissão da Prefeitura apontou para o então diretor do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), Ronaldo de Souza, o Professor Ronaldo, como o responsável pelo suposto desvio do material, avaliado na época em R$ 44,6 mil.

A comissão optou pela demissão de Ronaldo, que hoje não faz mais parte do quadro de funcionários públicos. O processo de indenização por dano material movido pela Prefeitura pede a Ronaldo a devolução de R$ 50 mil aos cofres públicos, “valor dado à causa para efeitos meramente fiscais”, conforme documento de 19 de maio de 2016 assinado pelo procurador do município Edson Vilas Boas Orrú, e encaminhado à Vara da Fazenda Pública da Comarca de Campinas.

O acusado nega que tenha sido dele a responsabilidade pelo sumiço da madeira, e atribuiu à Coordenadoria das Administrações Regionais (Coar) da época, órgão que supostamente teria que ter encaminhado o material à Lagoa. No entanto, a documentação apresentada pela comissão de sindicância aponta que o ex-diretor teria atestado o recebimento das notas fiscais e supostamente assinado comprovantes de saída do madeiramento do almoxarifado da Prefeitura, na Vila Industrial.

No inventário do restauro da embarcação, a Prefeitura havia identificado que as notas fiscais da mercadoria estavam assinadas por um funcionário do almoxarifado, confirmando o recebimento das madeiras. Mas a partir da assinatura de saída do material com destino ao canteiro de obras ninguém sabe até hoje sobre o paradeiro da pilha de madeira.

Eram 72 pranchas de 4,5 metros de comprimento por 30 centímetros de largura e outras 72 pranchas também de 4,5 metros de comprimento por 30 centímetros de largura e 4 centímetros de espessura. Esse material seria utilizado na parte superior da embarcação. A caravela foi finalmente reinaugurada em setembro de 2014, após seis anos de uma reforma arrastada e dispendiosa.

Responsabilidade

Ronaldo afirma que na época da reforma da caravela o material teria sido entregue na Coar, na Rua São Carlos, também na Vila Industrial, e que era de responsabilidade do órgão entregar as madeiras no Taquaral.

Ele afirma que deixou o cargo de diretor antes mesmo da sindicância terminar e que posteriormente ficou como comissionado da Empresa Municipal de Desenvolvimento (Emdec) até 2013. Assumiu depois como suplente do vereador Gustavo Petta (PCdoB), quando este foi eleito deputado federal, e hoje está filiado ao PDT, mesmo partido do ex-prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos.

De acordo com o seu advogado, Gustavo Boccaletti, a apresentação da defesa de Ronaldo já havia sido feita à comissão de sindicância, que entendeu pela pena de demissão. Boccaletti informou que se manifestará juridicamente assim que receber qualquer notificação, o que segundo ele não aconteceu até o final da tarde de ontem.

A Prefeitura informou apenas que o processo administrativo corre em sigilo, e não deu mais detalhes sobre o resultado da sindicância.

SAIBA MAIS

A embarcação é uma réplica da Anunciação, barco que trouxe Pedro Álvares Cabral às terras brasileiras em 1500 e desde 1972 está no Parque Portugal, uma das principais áreas de lazer da cidade.

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Gustavo Abdel