Publicado 13 de Julho de 2016 - 22h33

Orlando Melo de Castro, coordenador da Apta: o agronegócio é um viés importante da economia

Divulgação

Orlando Melo de Castro, coordenador da Apta: o agronegócio é um viés importante da economia

Campinas concentra o mais importante polo de tecnologia agrícola do Brasil, por unir um grande número de institutos de pesquisa na área - Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), e Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), todos sob a batuta da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo com a missão de gerenciar as atividades científicas e tecnológicas voltadas ao agronegócio. Somente na cidade a Apta coordena um time de 255 pesquisadores e 400 servidores alocados nos três institutos, e administra um orçamento anual de R$ 103 milhões da receita do Estado, 90% empregado no pagamento de salários, e mais R$ 34 milhões provenientes da iniciativa privada, que aposta na capacidade dos institutos para o desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias. De acordo com o coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Orlando Melo de Castro, o agronegócio é um viés importante da economia e só no ano passado gerou R$ 7 bilhões de Produto Interno Bruto (PIB) nos 25 municípios da regional Campinas, desse montante R$ 1,1 bilhão corresponde ao Valor de Produção Agrícola (VPA), aquilo que sai do campo. A região é forte em frango, uva, cana de açúcar e uma grande variedade de frutas. 

Se o consumidor encontra hoje uma grande variedade de frutas o ano todo, produtos mais resistentes e com menor uso de agroquímicos, alimentos semiprocessados com melhor preservação de suas características, deve muito dessas conquistas ao incansável trabalho dos pesquisadores dos institutos da Apta em Campinas. Castro diz que a diminuição do uso de agroquímicos nas lavouras está relacionada à tecnologia do controle biológico, a partir dos "insetos do bem" desenvolvidos no Instituto Biológico, no Centro Experimental da Fazenda Mato Dentro. "A partir da assessoria e tecnologia desenvolvida no IB muitas empresas na região montaram biofábrica. Existem unidades em Valinhos e Indaiatuba, por exemplo", diz o coordenador da Apta. As contribuições do Ital, que centraliza toda a pesquisa em Campinas, e bem antes do surgimento de cursos superiores na área de alimentos era o único centro de pesquisa do setor. De acordo com Castro, suas contribuições abrangem desde o processamento de carnes e outros produtos, passando por tecnologia empregada em embalagens e o melhoramento em bebidas lácteas e outros derivados do leite. "São tecnologias que fazem muita diferença para as pequenas e microempresas de bebidas e alimentos. Campinas tem um número grande de empresas desse ramo e o trabalho do Ital ajuda a elevar a saudabilidade dos produtos nas prateleiras", ressalta.

Na visão do coordenador da Apta, os avanços a partir do pioneirismo no passado construíram em Campinas um legado de pesquisa, que reflete no presente e projeta a cidade para o futuro, sempre buscando inovações que atendam às necessidades da população, seja com a solução de uma praga ou uma nova variedade de produtos. A agricultura avança com foco na sustentabilidade, novos produtos com qualidades incorporadas e embalagens que reduzam as perdas. As instituições do setor buscam agora a integração de pesquisas e cooperação no novo modelo do agropolo.