Publicado 13 de Julho de 2016 - 22h35

O café, que no século 19 ajudou a erguer o império dos barões na cidade, ainda resiste como uma área de 400 hectares

Carlos Sousa Ramos

O café, que no século 19 ajudou a erguer o império dos barões na cidade, ainda resiste como uma área de 400 hectares

Traçando um raio-x do meio rural em Campinas, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo com sede na cidade, criado em 1967 com a missão de promover o desenvolvimento rural sustentável, por meio de programas e ações participativas, aponta a existência de 45.168 hectares de área cultivada na cidade em 1.012 propriedades rurais ativas e com exploração agropecuária, aponta o engenheiro agrícola Paulo Namur Claro, da Cati - Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) Campinas. De acordo com o engenheiro, a cidade é a 14ª maior população do País, conforme números divulgados em agosto do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e tem 408 km² em área rural - 51% do território conforme estatística do Instituto de Economia Agrícola - com pelo menos 102,1 km² ocupados atualmente por atividades ligadas à agricultura. "O agronegócio é fundamental para os municípios por gerar emprego e renda, além de minimizar os impactos do crescimento urbano; aumentar as receitas e por contribuir com a economia da cidade, do Estado paulista e do Brasil", diz Claro.

Por mais incrível que possa parecer, a cidade repleta de loteamentos, prédios e indústrias, ainda acolhe grandes áreas cultivadas. A maior área plantada em Campinas é de pastagens, com 24 mil hectares, o equivalente a 1,6 mil estádios do Maracanã, seguida do eucalipto com 3,9 mil hectares, além de milho com 1 mil hectare, café com 400 hectares e goiaba com 300 hectares. Mas são as propriedades menores de fruticultura e hortaliças as maiores geradores de emprego no campo. São mais de 4,8 mil trabalhadores permanentes e 1,8 mil familiares trabalhando nas propriedades. O engenheiro agrícola da Cati lista as produções que mais absorvem esses trabalhadores: goiaba, seguida pela uva com 200 hectares, alface com 150 hectares, figo com 130 hectares e couve com 33 hectare. O café, que no século 19 ajudou a erguer o império dos barões na cidade, ainda hoje resiste em Campinas com uma área de 400 hectares, algo com aproximadamente 180 mil pés de onde são colhidas anualmente 620 toneladas.

No território campineiro o agronegócio se concentra nos bairros Pedra Branca, Reforma Agrária, Friburgo, Fogueteiro, Village, Gargantilha, Carlos Gomes e Matão, além dos distritos de Joaquim Egídio e Barão Geraldo.

Um pouco afastados dos seus arranha-céus, Campinas também oferece plantéis e rebanhos de diferentes espécies. O rebanho leiteiro, segundo levantamento da Cati, é formado por 5,1 mil animais, outro dado é que as pastagens da cidade também acomodam gado de corte com 21,5 mil animais, além de 4,6 +mistos, também para leite como para fornecimento de carne. No segmento de suinocultura são 7,2 mil animais. Sem dúvida a quantidade de animais que ganha de longe em quantidade na cidade são as aves, com 432 mil cabeças de corte produzidas por ano, além de 4 mil animais na avicultura de postura.

O agronegócio, segundo o engenheiro da Cati, é um grande aliado do desenvolvimento da cidade e os novos rumos do setor apontam para ampliação do uso de tecnologias de produção e busca por novos mercados.