Publicado 13 de Julho de 2016 - 22h37

Vista do Passeio Público em 1876, onde atualmente fica a Praça Imprensa Fluminense, no Centro de Convivência Cultural

Cedoc

Vista do Passeio Público em 1876, onde atualmente fica a Praça Imprensa Fluminense, no Centro de Convivência Cultural

Área rural de Campinas, em foto do Centro de Memória da Unicamp

- Na Campinas antiga, embora o povo tivesse acesso a alguns dos equipamentos de lazer e cultura institucionalizados, na verdade a sua participação era mais voltada para eventos populares, montados nas ruas, praças e arraiais. Uma antiga lei de outubro de 1829 ainda prevalecia em 1854, quando aconteciam determinadas diversões em logradouros, como congadas, bailes de mascarados e outras. Em clubes e fazendas realizavam-se bailes populares, chamados de ‘assustados’, quando os participantes dançavam quadrilhas e miudinho (uma roda de dança). No livro Os cantos e os antros, de José Roberto do Amaral Lapa, são citadas várias atrações, como as que seguem abaixo.

- No Carnaval, embora fosse permitido jogar entrudo (limões-de-cheiro), caso o ato se efetuasse contra a vontade do dono da casa ou do transeunte, o responsável estaria sujeito a multa e prisão. O Carnaval, bem como a Semana Santa e a Festa do Divino, eram as ocasiões principais de movimentação da cidade pela afluência da população rural.

Teatro São Carlos, construído em 1850 e demolido em 1921

- Na Rua das Casinhas (General Osório) com a Rua da Boa Morte (Padre Vieira) ficava um terreno onde se armavam circos de cavalinhos, com os seus espetáculos de variedades.

- Em 1873, a cidade possuía cinco concorridos salões de bilhar, reservados naturalmente aos homens. Em 1878, três livrarias atendiam ao público leitor.

- A sociedade campineira abria também espaços culturais privados, onde havia debates e recitais. Era o caso da Farmácia Sales (Largo da Catedral), onde, entre 1886 a 1889, ao cair da tarde, se reuniam médicos para alimentar animadas discussões.

- No meio rural as diversões eram outras, como, por exemplo, grupos de famílias que, em romaria, circulavam de uma fazenda para outra colhendo frutas da estação, enquanto os homens costumavam entregar-se à caça e à pesca.

- Na Casa do Eloy, no número 18 da praça Matriz Velha, um armazém de secos e molhados finos, louças e variedades, reuniam-se fazendeiros, industriais, advogados, médicos, políticos e jornalistas em alegre convívio. Lá rolavam bilhar, xadrez, dominó e bola (no quintal).

- O poder aquisitivo da elite cafeicultora teve reflexos no comércio, cada vez mais sofisticado para atender aos gostos requintados de seus clientes. Em 1885, Campinas contava com 579 estabelecimentos comerciais registrados - alfaiatarias, chapelarias, relojoarias, farmácias, selarias, sapatarias, hotéis, restaurantes, ateliês de fotografia, entre outros. Recortada pela linha férrea, a cidade crescia não apenas no plano econômico, mas também se expandia no aspecto cultural tendo em vista o grande número de livrarias instaladas na cidade.

- O café propiciou ainda a chegada na década de 1870 de vários outros ícones da modernização acelerada como, por exemplo, a inauguração em 29 de julho de 1875 da Companhia Campineira de Iluminação a Gás. Outra inovação foi a primeira exibição em 12 de maio de 1880, no Rink Campineiro, do "Fonógrafo de Edson", um equipamento antecessor dos gravadores, e a primeira experiência com iluminação elétrica em 25 de abril de 1886 na Estação da Paulista. A água encanada foi outro avanço que chegou em 5 de junho de 1887 assim como um cinematógrafo instalado no Teatro São Carlos, em 1897.