Publicado 11 de Julho de 2016 - 23h02

Por Shana Pereira

Rescaldo do incêndio de grandes proporções, que começou na tarde de sábado (9), atingiu os bairros Jardim Míriam e Parque Xangrilá, em Campinas

César Rodrigues/AAN

Rescaldo do incêndio de grandes proporções, que começou na tarde de sábado (9), atingiu os bairros Jardim Míriam e Parque Xangrilá, em Campinas

O incêndio que atingiu três fazendas próximas aos bairros Jardim Miriam e Parque Xangrilá, em Campinas, no fim de semana, deixou um rastro de destruição. De acordo com a Polícia Militar Ambiental, nesta segunda-feira ainda não era possível revelar a extensão do estrago na região, porque o trabalho de medição não foi concluído. A polícia também tenta verificar que tipo de vegetação havia no espaço e quais animais silvestres foram atingidos.

Segundo o médico veterinário Roberto Stevenson, especialista em animais silvestres, as constantes queimadas em áreas florestais levam muitas espécies a sofrerem com os incêndios. Stevenson ajudou nesta segunda-feira no resgate de um ouriço que vivia na área e destacou que muitos animais que não conseguem se recuperar naturalmente são levados para centros especializados e depois soltos.

Rescaldo do incêndio de grandes proporções, que começou na tarde de sábado (9), atingiu os bairros Jardim Míriam e Parque Xangrilá, em Campinas

Ele conta ainda que no local vivem diversas espécies como saguis, tatus, lagartos, cobras e gambás. “Os animais que conseguem fugir do fogo ficam desorientados e muito machucados. Ajudei a resgatar um ouriço fêmea e estou cuidando para soltá-la novamente em seu habitat. Acredito que muitos animais como cobras, ratos e outros ouriços conseguiram fugir. Mas encontrei também duas cobras e vários ratos mortos”, disse.

O Corpo de Bombeiros informou que o incêndio foi controlado por volta das 23h de domingo. O tempo seco e os ventos contribuíram para que o fogo se espalhasse rapidamente. No entanto, na manhã desta segunda ainda era possível observar resquícios de fumaça nas áreas afetadas. Para onde se olhava, o cenário era de destruição. No combate às chamas foram utilizados cinco caminhões, apoio da Defesa Civil e o helicóptero Águia da Polícia Militar.

Rescaldo do incêndio de grandes proporções, que começou na tarde de sábado (9), atingiu os bairros Jardim Míriam e Parque Xangrilá, em Campinas

A corporação explica também que a dificuldade para combater incêndios de grandes proporções é o difícil acesso das equipes às áreas de mata e pastagens. E pede apoio a população para evitar os incêndios nas áreas urbanas e terrenos baldios. Segundo os bombeiros, muitos dos incêndios são causados por moradores que realizam a limpeza de seus quintais e queimam o lixo em locais inapropriados.

De acordo com moradores, o fogo começou às margens da Rodovia SP-340 (Campinas-Mogi Mirim), próximo ao posto da Polícia Militar. “O fogo começou perto do posto e veio se alastrando rapidamente. Ficamos preocupados, pois as chamas estavam altas e chegaram muito perto das residências”, comentou o aposentado José Arlindo.

A dona de casa Olívia Maria Faria afirmou que, nessa época do ano, são comuns os incêndios na região. “Sempre ficamos apreensivos com as queimadas. As pessoas não respeitam e jogam bitucas de cigarro nas margens da rodovia. Não sei dizer se foi esse o motivo aqui, mas, todos têm se conscientizar do mal que isso pode trazer”, afirmou.

Cuidados

A Defesa Civil chama a atenção para a umidade do ar, que está em queda, podendo chegar ao estado de atenção. A perspectiva é que a condição de clima seco, calor e umidade baixa permaneça nos próximos dias. Nesta segunda, a umidade chegou a 33,7%. Níveis abaixo dos 30% são considerados como estado de atenção. “A orientação é que as pessoas não façam descartes irregulares de materiais e resíduos e não ateiem fogo, que podem gerar grandes incêndios. O tempo seco agrava mais a situação”, afirmou Sidnei Furtado, coordenador da Defesa Civil.

Furtado ressaltou que a população tem ajudado a revelar os focos de incêndio por meio do aplicativo Colab.re, canal de comunicação da Prefeitura na internet. “Muitas denúncias de queimadas chegam por meio desse aplicativo. Como são enviadas fotos dos locais, isso facilita a localização desses pontos. Mas os cidadãos podem fazer também as denúncias pelo 156”, disse ele.

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Shana Pereira