Publicado 23 de Julho de 2016 - 12h51

Por Manuel

Pedagogia do erro

Manuel

Pedagogia do erro

 Certa vez, entrevistando a bióloga celular e geneticista Mayana Zatz, fui surpreendido por uma frase dela. Ao analisar as pesquisas desenvolvidas em sua área, ela declarou que os cientistas não deveriam somente publicar artigos científicos relatando o sucesso de suas investigações, mas também os que revelassem os fracassos. “Nós podemos aprender muito com os erros. Tomando conhecimento sobre o que não deu certo, podemos evitar seguir pelo mesmo caminho”, disse, possivelmente com outras palavras.

 

Na gastronomia acontece o mesmo. Chefs, cozinheiros amadores e curiosos vivem postando fotos nas redes sociais mostrando pratos lindos e apetitosos. Ocorre que, para se chegar a uma criação “perfeita”, muitas falhas precisam ser corrigidas. Alguns pratos precisam ser feitos três, quatro ou cinco vezes antes de se chegar à versão final. Entretanto, ninguém mostra o que “deu ruim”.

 

O suflê de espinafre da foto, que preparei ontem à noite, é um exemplo de experiência que não deu muito certo. O sabor ficou excelente e a textura, igualmente boa. Ocorre que, por causa do tempo frio, o suflê murcha muito rapidamente, o que dificulta a realização da foto. Até que preparei a bancada e ajustei a luz, o danado, que estava altivo e cheio de si, baixou drasticamente.

 

O resultado foi esta imagem não tão bonita como deveria ser, mas que considerei importante mostrá-la, até para estimular quem está começando a cozinhar a sempre continuar tentando. Se seu prato ficou salgado, faça-o novamente, reduzindo a quantidade de sal. Se ficou desenxabido, repita-o, caprichando mais nos temperos. Se ficou esquisito, insista e reelabore a apresentação. E, sobretudo, fique de boa. Nós, profissionais da cozinha, também escorregamos muito na maionese.

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Manuel