Publicado 09 de Novembro de 2015 - 15h58

O jornalista nova-iorquino Seth Kugel

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O jornalista nova-iorquino Seth Kugel

O jornalista nova-iorquino Seth Kugel, principal responsável pelo Amigo Gringo, canal do Youtube sobre dicas para quem quer visitar a maior metrópole dos EUA, torce o nariz quando fala da lista de atrações “obrigatórias” da cidade, como o Empire State Building ou a Estátua da Liberdade. Para ele, o grande barato de visitar Nova York está em conhecer o que a cidade tem a oferecer e que não está nas páginas dos guias de turismo.

“O maior erro que alguém pode cometer é fazer um checklist com os lugares famosos. Você não vai conseguir ver tudo e no fim vai ficar muito cansado. Você tem que sair dessa forma de pensar, de que se não passou pelas principais atrações, não conheceu Nova York”, afirma. Seth, aliás, pensa justamente o contrário: ele afirma que os locais mais tarimbados são lotados de turistas, de todos os tipos e lugares – menos, é claro, de Nova York. “Não vamos no Empire State ou Estátua da Liberdade. No máximo, nos museus”, conta. Segundo o jornalista, que é também colunista do New York Times e já atuou como correspondente pelo jornal no Brasil, para conhecer a verdadeira Nova York é preciso andar pelos seus bairros mais afastados.

Para isso, ele dá uma dica. “Nova York é uma cidade para andar a pé. E o melhor a fazer é dividir seus passeios por região, não por atrações. Se você quer ver o Museu de História Natural, por exemplo, se programe para almoçar em alguma lanchonete judaica no Upper West Side. Depois, dá pra ver o Children’s Museum, que também fica por ali”, indica.

Na opinião de Seth, melhor ainda que os passeios é a oportunidade de conhecer gente nova. “Não tem nada pior que ficar estressado nas férias. É justamente o oposto do que queremos. Não tem porque ficar correndo para cumprir uma agenda. Se você estiver em um lugar e conhecer um casal, sei lá, indiano, engatar uma conversa e estiver legal, continue com eles. Uma amizade vale mais do que qualquer Empire State, e isso é uma dica que vale para viagens a qualquer lugar”, conta.

O período ideal

Seth diz que é difícil definir um período ideal para desfrutar de Nova York, mas acha que uma semana é pouco. “Eu mesmo preciso de umas 24 ou 48 horas só para me habituar quando chego em um lugar novo. Talvez uns 15 dias seja o ideal”, afirma. Mais que isso, para Seth, é exagero. “Vocês brasileiros costumam ter 30 dias de férias, e eu não recomendo gastar todo esse tempo em Nova York. Os Estados Unidos mesmo têm outros lugares belíssimos, e muito mais baratos, para conhecer. Se você ficar um mês em Nova York vai virar um Eike Batista e perder todo o seu dinheiro”, diverte-se o jornalista.

Seth, aliás, não ignora a alta do dólar, que está assustando turistas brasileiros. “No ano passado o Brasil foi o terceiro país que mais mandou turistas a Nova York. Só o Canadá e a Inglaterra mandaram mais. Mesmo com a crise, se o movimento de brasileiros cair 50%, ainda teremos 500 mil turistas daí por ano”, diz “(A alta do dólar) não é boa para mim, para o canal, para o Brasil, para ninguém. Eu sinto também, não tanto quanto os brasileiros, e quem trabalha com turismo em Nova York também sente o impacto. Os brasileiros são importantes para a economia da cidade, e eu falo sério”, afirma.

Comportamento

Em seu canal, Seth sempre brinca com estereótipos dos brasileiros – e dos turistas brasileiros, principalmente. Mas, deixando as piadas de lado, ele afirma que, na realidade, os nova-iorquinos não ligam muito para o que fazemos ou deixamos de fazer. “Se passar um grupo de brasileiros falando português que não estejam com câmeras penduradas ou vestindo camisas da seleção, nem saberemos que são turistas”, diz Seth. Segundo ele, quase metade da população atual de Nova York não nasceu na cidade. “É um lugar de imigrantes.”

Seth afirma, no entanto, que alguns comportamentos devem ser evitados. “Eu já não ligo mais, mas os nova-iorquinos não gostam muito de ser tocados durante uma conversa, como os brasileiros costumam fazer, ou de turistas reunidos em grupo e falando muito alto. Mas isso são detalhes, em geral os norte-americanos têm uma visão muito positiva do Brasil e do brasileiro”, conclui.

As dicas de Seth Kugel para economizar em Nova York

- Leve reais e faça a troca em Nova York. Em um dos vídeos do Amigo Gringo, ele comprovou que as taxas em uma casa de câmbio de Manhattan são mais atrativas que as encontradas em São Paulo.

- Fuja dos hotéis de Manhattan. Procure hospedagem em bairros como Queens ou Brooklyn, ou, melhor ainda, em aplicativos de aluguel de quartos, como o AirBNB. Procurar brasileiros que vivem em NY e alugam seu espaço também é uma ótima opção.

- Na hora de programar seus passeios, tente encaixar as refeições em bairros residenciais, mais afastados. Os restaurantes são ótimos e bem mais baratos que na área central.

- Ainda sobre comida: procure um site chamado Eater, com dicas de restaurantes em Nova York. Uma dica de como encontrar lugares baratos facilmente é digitar “eater cheap eats” na área de pesquisa do Google. Usar aplicativos como o Yelp também pode ajudar.

- Se estiver em regiões com predomínio de latinos, tente pechinchar. Mas não exagere.

- Pesquise por horários gratuitos das atrações. A maioria dos museus abre para o público em geral pelo menos uma vez por semana – o “efeito colateral” é aguentar as filas... Nos museus onde você escolhe quanto quer pagar, não seja tão mão-de-vaca. O ideal é dar ao menos 5 dólares.

O Amigo Gringo, canal de Seth Kugel no Youtube (www.youtube.com/canalamigogringo) tem 115 mil inscrições, mais de 4,6 milhões de visualizações e completou um ano há pouco menos de um mês. Os vídeos são postados todas as terças e sextas-feiras, às 10h. Para quem vai visitar Nova York, ou simplesmente quer saber mais sobre a cidade, é imperdível.