Publicado 16 de Novembro de 2015 - 14h40

Por Alenita de Jesus

Alenita Ramirez

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Foto: Leandro

Alunos das escolas estaduais Carlos Gomes e Francisco Glicério, em Campinas, travaram o trânsito ontem de manhã na região central, durante protesto contra a reorganização das instituições no estado de São Paulo. Este é o segundo ato que os alunos promovem em quatro dias. Um grupo de cerca de 200 alunos, segundo a Guarda Municipal (GM), se concentrou a partir das 7h45 na Praça Carlos Gomes e por volta das 8h55 saiu em passeata rumo a diretoria regional de ensino, no Jardim Guanabara. Não houve incidentes.

Munidos de faixas, cartazes, buzinas e com o grito “a escola é nossa”, os alunos começaram pela faixa da direita da Rua Irmã Serafina e seguiram pelas avenidas Anchieta e Brasil (sentido bairro), Rua Alberto Faria até a Rua Rafael Sampaio, onde fica o prédio da diretoria de ensino. Neste local houve bloqueio da via entre as 10h e 11h30.

Enquanto os alunos estavam pela Avenida Anchieta e Orosimbo Maia, houve congestionamento até a Avenida Moraes Salles. Como os ônibus não podiam passar, muitos passageiros que seguiam até a região da Rua Coronel Quirino decidiram descer e caminhar. “Estou atrasada para o trabalho e não posso esperar mais. O jeito é ir a pé”, disse a doméstica Maria da Glória Santana Gomes, 50 anos. “Não sou contra os protestos, mas os alunos podiam fazer de uma forma que não prejudicasse o trabalhador”, acrescentou.

A passeata durou cerca de uma hora. Durante a caminhada, os alunos fizeram paradas de até 10 minutos e distribuíram panfletos com a pauta de reivindicação. Na pauta constava itens de desabafo em relação a reorganização e pedidos interno da escola Carlos Gomes como criação de um grêmio, a transparência de gastos e a repreensão de alunos por conta das manifestações.

Na sexta-feira passada, cerca de 400 alunos do período da manhã manifestaram contra a decisão do governo e saíram em passeata até a Escola Francisco Glicério. O ato também causou congestionamento no trânsito.

Uma comissão formada por quatro alunos e três professores foi recebida pelo dirigente regional Campinas Leste, Nivaldo Vicente. “Conversei com os alunos e fiquei de dar uma resposta para eles em 48h sobre os pedidos que fizeram. Expliquei sobre a reorganização escolar. O protesto foi tranquilo e é um direito deles fazerem”, comentou Vicente.

Sobre outros itens da pauta, o diretor alegou que o estado contrata professores o ano todo e garantiu que enviará um comunicado às escolas para que não haja punições aos alunos que participaram dos atos. "Se eles perderam alguma avaliação, será dada outra oportunidade", frisou.

A passeata foi acompanhada por agentes de mobilidade urbana da Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), GM e Polícia Militar (PM).

Mudanças

A região de Campinas terá 55 escolas estaduais com ciclo único de ensino a partir de 1º de fevereiro de 2016. Só em Campinas, são 16 escolas. No caso da Carlos Gomes, haverá o fim do Ciclo I, que vai do 1º ano ao 5º ano, do ensino médio e do EJA no período noturno. O Ciclo I será transferido para a Escola Francisco Glicério e o Ensino Médio para o colégio Adalberto Nascimento, no Taquaral.

No geral, as instituições estaduais de ensino listadas ficarão divididas de acordo com os ciclos de educação, em unidades de ensino médio, unidades para os anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e unidades para os anos finais (do 6º ao 9º ano).

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Alenita de Jesus