Publicado 13 de Novembro de 2015 - 19h03

Por Jaqueline Harumi Ishikawa

Os homens que sofrem de depressão e são diagnosticados com câncer de próstata têm maior probabilidade de desenvolver a forma mais agressiva da doença, terem um tratamento menos efetivo e sobreviver menos tempo do que os pacientes que não são depressivos. A constatação foi feita por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que avaliaram o histórico de 41.275 homens diagnosticados com a doença entre 2004 e 2007 e observaram que 1.894 tiveram o diagnóstico da depressão dois anos antes do câncer.

Para o professor Jim Hu, responsável pelo estudo, as consequências negativas podem estar ligadas a fatores como o preconceito contra pessoas com doença mental e a falta de investimento do paciente em sua saúde e cuidados, além da falta de oportunidades para os médicos educarem seus pacientes sobre a triagem e o tratamento da doença.

Apesar da constatação, os efeitos das desordens mentais não são tão claras quanto as características regionais e socioeconômicas e seriam necessários novos esforços para melhor compreensão sobre a diminuição da sobrevivência nos pacientes em questão.

O urologista Rafael Coelho, coordenador do Serviço de Urologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), afirmou que existem diversos trabalhos que correlacionam câncer com depressão, mas que em seis anos no Instituto não teve casos em que o tratamento é diferenciado. “Nessa fase de diagnóstico, o apoio da família é fundamental e nós oferecemos apoio de psicóloga e todo o suporte médico para ajudar o paciente”.

Características

O estudo também observou que os homens que sofrem de depressão são mais velhos, brancos ou hispânicos, solteiros, moradores de regiões não metropolitanas, com menos dinheiro e com outros problemas de saúde. Apontou ainda que homens depressivos têm menor probabilidade de procurar por tratamento como cirurgia ou radioterapia, o que foi considerada uma surpresa pelos pesquisadores, visto que eles já faziam acompanhamento médico antes do diagnóstico do câncer.

Escrito por:

Jaqueline Harumi Ishikawa