Publicado 13 de Novembro de 2015 - 18h20

Por Paulo César Dutra Santana

Paulo Santana

Da Agência Anhanguera

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No primeiro capítulo do livro "Chaves para ser um excelente treinador" (2009) de Frank Smoll e Ronald Smith, traduzido pelos professores Jaime Cruz e Alexandre García, os técnicos de futebol são tratados como professores, psicólogos amadores, pais substitutos e representam até um modelo de conduta.

Contrariando a afirmação dos escritores, a Ponte Preta está vivenciando uma experiência inovadora desde que perdeu o técnico Doriva para o São Paulo, que foi demitido na semana que passou. Apostou no jovem Felipe Moreira, de apenas 34 anos, e se deu bem. O time não perdeu o ritmo e segue, mesmo com chances remotas, na luta por vaga na Copa Libertadores.

Isso porque Felipe assumiu a função e “não inventou”. Manteve a linha de trabalho iniciada por Guto Ferreira e seguida por Doriva. E, com seu discurso baseado na amizade e respeito, o técnico estreante conquistou a confiança dos atletas. “O Felipe chegou e não mexeu em nada do que vinha dando certo. Os jogadores se uniram em torno de um objetivo e agora estamos colhendo o que plantamos”, conta o atacante Diego Oliveira.

Felipe deu liberdade, por exemplo, para os atletas darem suas opiniões a respeito da forma de jogar. As vozes dos líderes do elenco – Marcelo Lomba, Fernando Bob, Ferron e Borges – têm peso em qualquer decisão tomada na preparação para cada rodada. “A gente vem jogando da mesma forma desde o início do ano. Todo mundo já sabe o que tem que fazer. Não mudou praticamente nada desde que o Doriva saiu”, ressalta o lateral-direito Rodinei.

Simples e objetivo como era seu pai, Marco Aurélio Moreira, Felipe conta que a Macaca tem feito bons jogos porque está adaptada ao esquema. “O time vem jogando assim (no esquema 4-2-3-1) e está adaptado. Gosto de ver a bola no chão, o passe correto, um time que busque o gol”, relata.

Com três vitórias, um empate e duas derrotas em seis jogos, Felipe tem 56% de aproveitamento dos pontos disputados. Apesar de já ter uma certa bagagem como auxiliar e ter feito estágios no Japão e Portugal. o jovem treinador não faz previsão para o ano que vemo. “Sou funcionário da Ponte. O que for decidido pela diretoria, vou cumprir”, finaliza.

A Macaca deve contratar um novo treinador para 2016. Gilson Kleina, que foi dispensado pelo Avaí, e Eduardo Batista, que está balançando no Fluminense, são os mais cotados para a função. Se Batista vier, a Macaca poderá ter um trio de filhos de ex-craques do clube. Gustavo Bueno, filho de Dicá, Felipe Moreira, filho de Marco Aurélio, e Eduardo, filho de Nelsinho Batista.

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Paulo César Dutra Santana