Publicado 13 de Novembro de 2015 - 18h40

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: Protestos

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

A promotoria da Justiça da Infância e da Juventude de Campinas questiona a direção de ensino local como reorganização nas escolas afetará a vida dos alunos. O promotor Rodrigo Augusto de Oliveira deu um prazo de dez dias para que os dirigentes de ensino Leste e Oeste expliquem uma série de pontos sobre as mudanças. Dentre eles, o promotor quer saber se tal medida poderá resultar em superlotação de salas de aula e as medidas que se pretendem adotar para evitar esse problema. Em Campinas, 16 escolas terão ciclo único a partir de 2016, e a Escola Estadual Sebastião Ramos Nogueira, no bairro São Bernardo, será fechada.

Hoje, 158 escolas estaduais de Campinas abrem os portões para uma megarreunião, chamada pela Secretaria Estadual de Educação como o “Dia E”, que pretende tirar as dúvidas de estudantes, pais, funcionários e professores sobre a reorganização da rede estadual de ensino. A mobilização acontecerá de forma simultânea em todas as 5 mil unidades do Estado. A reunião é também uma medida de acalmar os protestos de alunos afetados com as mudanças, que levaram para as ruas de Campinas, São Paulo e outras cidades centenas de alunos contrários à medida.

A repercussão das mudanças propostas nos ensinos Médio e Fundamental fez a promotoria de Campinas questionar os dirigentes. Em outro apontamento o promotor questiona se o remanejamento “importará no deslocamento dos alunos em distância superior a 2 km de suas residências”. Caso isso ocorra, questiona se o Estado providenciará transporte para os alunos (o Governo anuncia que a escola não ficará mais de 1,5 km do aluno).

“A preocupação do Ministério Público (MP) é garantir que a reorganização não gere superlotação nas salas de aula, e que também seja garantido ao estudante a escola próxima a sua casa. E se o Estado vai providenciar transporte ao aluno que ficar distante mais de 2 km de sua escola”, apontou Oliveira. “Estamos acompanhando de perto para assegurar o direito a educação de maneira menos traumática possível”, completou.

Segundo a secretaria, o objetivo do “Dia E” é informar onde os estudantes estarão matriculados no próximo ano letivo e explicar os motivos que levaram a Pasta a adotar a medida. Mesmos as escolas que não estão na lista de remanejamentos também estarão de portas abertas para fornecer quaisquer esclarecimentos sobre o projeto. “Vamos responder aos questionamentos da promotoria. Mas podemos adiantar que não haverá superlotação, senão não teria por que fazer a reorganização. Nenhuma sala terá mais do que 45 alunos”, rebateu o dirigente de ensino da região Oeste de Campinas, Antonio Admir Schiavo.

“Sobre a distância, os estudantes serão deslocados dentro do mesmo bairro em que já estudam, num raio de aproximadamente 1,5 km”, garantiu o dirigente.

Em relação a possibilidade de novos protestos hoje, o dirigente pediu que sejam “de maneira sensata”. A estimativa é que 340 mil crianças e adolescentes estejam envolvidos diretamente. Em Campinas, a secretaria estadual informou que na escola Francisco Glicério os pais e alunos terão acesso a programas modelo de ensino. Durante toda a semana, as equipes gestoras enviaram convites e informaram os horários da recepção, que começa a partir das 8h. Outro pedido é que mesmos as escolas que não estão na lista de remanejamentos também estarão de portas abertas para fornecer quaisquer esclarecimentos sobre o projeto. Dentre os benefícios pregados pelo Estado com a reorganização estão a abertura de 2.956 classes hoje ociosas e diminuição de 18% de escolas de dois segmentos, passando de 3.209 para 2.635.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista