Publicado 11 de Novembro de 2015 - 21h55

Por Jaqueline Harumi Ishikawa

Fotos: Divulgação

Jaqueline Harumi

Da Agência Anhanguera

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Americana é a primeira cidade paulista a receber um mural de grafite da campanha internacional “Education is not a crime” (Educação não é crime) em defesa do direito universal de acesso à educação. A campanha surgiu em setembro como forma de pressionar o governo iraniano a mudar sua política contra a minoria religiosa Baháí, impedindo seus seguidores de ingressar em universidades, e incentivar universidades ao redor do mundo a aceitar esses estudantes em potencial. Dentre os apoiadores da campanha, estão o Arcebispo Desmond Tutu e a Dra Shirin Ebadi, agraciados com o Prêmio Nobel da Paz, e atores como Mark Ruffalo e Rainn Wilson.

“Education is not a crime” é encabeçada pelo jornalista e cineasta iraniano Maziar Bahari, que foi preso em seu país em 2009 sem acusações por 118 dias e foi lançada em Nova York, nos Estados Unidos, com quatro murais. No Brasil, já está presente em Salvador (BA), Brasília (DF) e Londrina (PR). O lançamento do grafite americanense acontece hoje, às 14h30, na Avenida São Jerônimo, 1495, no Jardim Bela Vista. A obra é de Leonardo Smania, que recebeu o convite do iraniano baháí Ramin Shams, que há 25 anos saiu do Irã com a mulher e as roupas do corpo, segundo o porta-voz da campanha em São Paulo, Flávio Azm Rassekh.

O direito à educação foi expressado por Smania através do rosto de uma criança de origem iraniana com uma mão na frente e o entorno do rosto colorido. “Queria uma imagem que traduzisse a tristeza de ser privado de alguma coisa”, explicou o artista, que ingressou no universo do grafite no ano passado e cursa o último ano de Publicidade. “Outro dia estavam querendo prendê-lo, chamando-o de pichador, e agora virou um grande artista para a cidade”, comentou Rassekh, que pretende lançar mais um mural no Estado, desta vez na Capital, em um prédio em frente a Igreja da Consolação, com 50 metros de altura. Há planos para levar a campanha também para o Rio de Janeiro.

O idealizador

Maziar Bahari foi repórter da Newsweek no Irã entre 1998 e 2011 e produziu diversos documentários sobre o país, além de reportagens para emissoras de todo o mundo, incluindo BBC, Channel4, HBO e Discovery. Sua prisão aconteceu durante os Protestos Eleitorais em 2009 e foi tema do filme Rosewater (118 Dias), lançado no Brasil em 2014, ano em que Bahari lançou o documentário To Light a Candle (Educação não é Crime). “Enquanto os baháís continuarem a enfrentar injustiças, e enquanto as autoridades iranianas os tratarem como cidadãos de segunda categoria, ainda haverá muito a ser feito”, afirmou Bahari durante mega projeção na cúpula do Museu Nacional, em Brasília.

A religião

Adorar ao Criador, promover a paz e servir à humanidade são os objetivos comuns da religião Bahái, a maior minoria religiosa do Irã. Segundo a Comunidade Baháí do Brasil, ao menos 200 bahá’ís foram executados entre 1979 e 1987, após a Revolução Islâmica, e cerca de 70 encontram-se atualmente presos por causa de sua fé. Ainda de acordo com a comunidade, baháís sofrem assédios rotineiros, têm sua subsistência negada, são detidos e aprisionados sob falsas acusações, além de serem impedidos de trabalhar e estudar. No Brasil, são cerca de 65 mil baháís em aproximadamente 1.300 municípios. A Comunidade Baháí do Brasil começou a se formar em 1921, em Salvador (BA), com atividades de amparo às mulheres e de educação das crianças.

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Jaqueline Harumi Ishikawa