Publicado 11 de Novembro de 2015 - 20h58

Por Inaê Miranda

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Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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As escolas públicas de Campinas com apenas o primeiro ciclo do Ensino Fundamental apresentaram na Prova Brasil 2013 um desempenho superior ao das escolas que incluem o Ensino Médio. A análise apresentada anteontem em evento da 6ª Semana da Educação de Campinas, realizado no auditório da Fundação FEAC, considerou os alunos do 5º ano do Ensino Fundamental. Durante o evento “Observando Campinas – Novos estudos do Observatório da Educação” - foram divulgados outros três estudos sobre o cenário educacional de Campinas. A 6ª Semana de Educação segue hoje e amanhã com uma série de debates e oficinas.

O estudo conduzido pelo professor Dalton Francisco de Andrade analisou o desempenho de 191 escolas públicas de Campinas com alunos de 5º e/ou 9º anos do Ensino Fundamental (EF) – dessas 151 pertenciam à rede estadual e 40 à rede municipal - e sua associação com o nível de infraestrutura escolar; o nível socioeconômico da escola; e o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS) desenvolvido pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE). Os dois primeiros indicadores foram baseados nos dados de 2013 e o índice de vulnerabilidade no ano de 2010. O nível de desempenho das escolas foi avaliado com os dados da Prova Brasil de 2013.

De acordo com os resultados do estudo obtidos pelo autor, é mais frequente que uma escola de alto desempenho – ou seja, com a porcentagem dos seus alunos nos níveis adequado e avançado, no ano ou série considerado, superior a 50% em Português e Matemática - tenha somente o 1º ciclo do Ensino Fundamental. As escolas de baixo desempenho – quando a porcentagem dos seus alunos no nível abaixo do básico é igual ou superior a 20% em Português e Matemática - são mais frequentes naquelas que possuem os dois ciclos do ensino fundamental. Ou seja, “o tamanho da escola, em termos de número de alunos, é um fator que influencia fortemente no desempenho dos alunos: 58% das escolas de alto desempenho contemplam somente o primeiro ciclo do EF”, destacou no estudo.

O superintendente da Feac, Arnaldo Rezende, explicou que a educação básica é dividida em Educação Infantil, Ensino Fundamental (com o ciclo 1, que vai do 1º ao 5º ano, e o ciclo 2, que vai do 6º ao 9º ano), e o Ensino Médio. “Tem escolas que trabalham com os ciclos 1 e 2 do Fundamental, Ensino Médio, às vezes com a Educação de Jovens e Adultos. Às vezes têm escolas gigantes com 4 ou 5 mil alunos. A performance dessas escolas é aquém daquelas que se dedicam apenas ao Ensino Fundamental ou Médio. E aquelas que se dedicam a só um dos ciclos do Ensino Fundamental estão um passinho mais afrente”, disse.

“Absenteísmo dos professores da rede pública de Campinas” foi o título de outro estudo apresentado pelo professor Dalton Francisco, da Universidade Federal de Santa Catarina e membro do Observatório da Educação. Na rede municipal, por exemplo, o estudo indicou uma ausência de aproximadamente 10% de aproximadamente 4,5 mil professores faltam. Rezende destaca que esse dado significa a taxa de ausência dividida pela presença. Ele acrescenta ainda que dentro desse percentual tem muitos professores que justificaram sua ausência por meio de mecanismos legais, como licença maternidade, afastamento médico. “Dentro desse percentual estão tanto faltas justificadas e legalmente amparadas, quanto as faltas não justificadas”, comentou.

O evento segue até sexta-feira. A programação está disponível no site: www.semanadaeducacao.org.br .

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Inaê Miranda