Publicado 11 de Novembro de 2015 - 18h50

Por Adriana Leite e Silva

Adriana Leite

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Viracopos está entre os dez aeroportos que mais movimentaram passageiros no País em 2014. O dado consta da pesquisa "Transporte Aéreo de Passageiros" da Confederação Nacional de Transportes (CNT) divulgada ontem fez um raio-x da infraestrutura aeroportuária do País e do setor de aviação civil. O terminal de Campinas foi o 7° em movimentação e teve uma participação de 4,7% do total do sistema nacional no ano passado com um volume de 10,1 milhões de passageiros.

O volume apontado no estudo considera os passageiros que pagaram passagens, tripulantes, autoridades e pessoas em trânsito. O dado oficial da Aeroportos Brasil Viracopos, que considera apenas os assentos pagos, foi de 9,84 milhões em 2014. De acordo com o ranking na pesquisa, o primeiro posto ficou com Guarulhos (18,1% do total do País). O segundo lugar foi de Brasília (8,5%). E o teceiro foi Congonhas (8,3%).

O estudo mostrou que em 14 anos a quantidade de passageiros saltou no País 210,8%, passando de 32,92 milhões para 102,32 milhões. A queda do custo das passagens em 43,1%, entre 2002 e 2014, favoreceu o acesso de mais pessoas ao transporte aéreo. Segundo a análise da CNT, o valor médio de comercialização das passagens caiu de R$ 580,58 para R$ 330,25. Segundo a análise da entidade, a queda foi possível em decorrência da liberdade tarifária que permitiu às companhias maior gerenciamento das receitas. Mas o custo poderia ser ainda mais competitivo se o custo da querosene de aviação (QAV) não fosse tão caro no Brasil, principalmente para o abastecimento de voos domésticos.

A pesquisa apontou que o gargalo no valor do combustível está nas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicadas pelos Estados. O patamar varia de 11% a 25%. A entidade defende uma alíquota de no máximo 12%. No estudo, a CNT mostrou que os outros custos que pesam sobre as operações das companhias aéreas no Brasil são arrendamento, manutenção e seguro das aeronaves (17%) e tripulação (9,6%).

A CNT informou no estudo que o Brasil melhorou 18 posições em infraestrutura aeroportuária em ranking do Fórum Econômico Mundial no último ano, saindo da 113° posição para o 95° lugar. Segundo os dados coletados pela entidade, entre os anos de 2013 e 2015, foram investidos R$ 8,4 bilhões pelas concessionárias em cinco aeroportos. No mesmo período, R$ 8,3 bilhões foram injetados pelo governo federal em 60 terminais em todo o País.

A confederação defende que a privatização dos aeroportos reforçou o sistema aeroportuário e teve reflexo na melhora de grandes terminais. Entre os anos de 2012 e 2013, foram concedidos os aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (SP), Brasília (DF), Galeão (RJ) e Confins (MG). Ainda assim, a CNT alertou que o País está muito atrás no ranking e que perde para países como Argentina (92°), Chile (36°) e África do Sul (14°).

Apesar de defender a concessão, o estudo da CNT mostrou também que os aeroportos concedidos recebem a maior fatia dos recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac). No documento, a entidade detalhou que os cinco terminais privatizados receberam juntos 60,4% do total de recursos investidos. Para os outros 60 aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) sobraram 39,6%.

Desde a formação do Fnac, em 2013, foram arrecadados R$ 8,86 bilhões. O dinheiro vem da arrecadação do Adicional Tarifário (Ataero), das outorgas de concessões aeroportuárias, dos rendimentos de aplicações financeiras, da parcela do aumento das tarifas de embarque internacional e de outros rendimentos. No modelo atual de concessões, os recursos arrecadados no processo retornam como investimento para os próprios terminais em decorrência da elevada participação da Infraero na sociedade, segundo a CNT.

Mais voos

Com a chegada da alta temporada, a quantidade de voos domésticos e internacionais vai aumentar em Viracopos. A Azul Linhas Aéreas Brasileiras informou ontem que irá oferecer mais 530 voos saindo do terminal nos próximos três meses. De acordo com a companhia aérea, os três grandes aeroportos paulistas (Viracopos, Congonhas e Guarulhos) terão de cerca de mil voos extras.

O reforço de operações será em 15 destinos nacionais, principalmente para o Nordeste. A empresa informou que alguns serão novos mercados temporários. No País todo, serão 4,5 mil voos. Nos destinos internacionais, Viracopos passará a contar com dois voos diários para Fort Lauderdale/Miami e Orlando. Já a Azul Viagens terá mais de mil voos dedicados durante a alta temporada.

Elemento

24,9

bilhões de reais

é o montante que precisa ser investido no sistema aeroportuário brasileiro em 200 projetos

Escrito por:

Adriana Leite e Silva