Publicado 11 de Novembro de 2015 - 18h00

Por Adagoberto F. Baptista

Número: 62 alunos estudavam na escola estadual

Fotos: Janaína Ribeiro

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

A desativação da Escola Estadual Professor Geraldo Alves Corrêa, no bairro Jardim Santana, em Campinas, no final do ano passado para abrigar um arquivo do Estado desagrada moradores da região. Eles reivindicam que o espaço se torne uma unidade infantil municipal, e assim consiga zerar o déficit de crianças que precisam de berçário naquela região. A secretária municipal de Educação de Campinas, Solange Pelicer, informou que está processo de negociação com o Estado para avaliar a viabilidade ou não de utilização do espaço.

De acordo com o presidente da Associação dos Moradores do Núcleo Residencial Gênesis, Willian Gonçalves Martins, em toda a região Leste, incluindo os bairros Santana, Gênesis, Nilópolis, Getúlio Vargas e outros, o déficit até setembro desse ano era de 80 a 90 vagas de berçário faltantes. Segundo Martins, em setembro do ano passado apresentou um levantamento para a secretaria de Educação de Campinas, mostrando três possíveis áreas para construção de novas creches. “Esse levantamento fizemos a partir do pedido da própria secretaria de educação. Na época nos informou que era impossível ampliar o número de vagas por que não havia espaço para construir novas unidades, e nos pediu indicações de áreas. Sendo assim fizemos um levantamento detalhado e apresentamos três possibilidades”, mostrou o presidente.

Segundo ele, o documento com mais de 300 assinaturas colhidas entre os moradores foi entregue na secretaria de educação em setembro de 2014. “Não obtivemos respostas até o momento”, reclama Martins. “Uma opção para suprir esse déficit seria utilizar essa escola desativada. Isso iria ajudar muito as mães que hoje não têm onde deixar seus filhos recém-nascidos”, apontou. Uma quadra teve a cobertura inaugurada há poucos dias de ser fechada, segundo o presidente da associação.

A escola estadual foi desativada no ano passado, segundo Nivaldo Vicente, dirigente regional de ensino de Campinas (região Leste), porque não tinha demanda de alunos. “Havia somente quatro turmas e 62 alunos do sexto ao nono ano do Ensino Médio”, explicou o dirigente. Os alunos foram remanejados para a escola estadual Moacyr Santos de Campos, no Jardim Nilópolis. Hoje a escola se transformou em um “núcleo de vida escolar”, ou seja, arquiva 77 mil históricos de ex-alunos de unidades do Estado que já fecharam em Campinas.

Quanto à quadra, o dirigente informou que ela não está abandonada, e que é utilizada pela comunidade e que tem uma pessoa responsável pela chave do local. “A Prefeitura nos procurou quando a escola foi fechada, e nos colocamos à disposição”, disse Vicente. Desde então a municipalidade não entrou mais em contatado com a secretaria estadual para tratar sobre a utilização ou não do espaço. Vicente garantiu que o fechamento da escola não faz parte da reorganização no ensino que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) está colocando em prática.

Já a secretária de Educação de Campinas, Solange Pelicer, disse que demosntrou interesse para avaliar se é possível transformar em creche a escola. De acordo com Solange, a parte interna é adequada para receber crianças. “Está em processo de negociação”, resumiu. Quanto ao documento apresentado pela associação de moradores, Solange disse que não teve acesso, e sugere que uma cópia esteja em análise na diretoria de arquitetura escolar da secretaria. “Esse documento não chegou ao meu gabinete”, disse.

Sobre o déficit de vagas, a secretaria explicou que um novo desenho de demanda está sendo feito a partir do planejamento do ano que vem. Ela informou que a demanda por vagas de 1,5 ano a 3 anos conseguiram ser zeradas na região Leste, mas reconhece que há uma demanda naqueles bairros.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista