Publicado 11 de Novembro de 2015 - 14h31

Por Adagoberto F. Baptista

Uma menina de seis anos está sofrendo há quase cinco meses depois que perdeu seu "Popoti", nome carinhosamente dado por ela ao bichinho de pelúcia com formato de hipopótamo. A mãe Sandra Ferreira ONeill chegou a postar em sua página no Facebook um apelo para encontrar o brinquedo perdido e oferece uma recompensa para quem devolver a pelúcia. Segundo Sandra, que cuida sozinha da filha, a pequena ficou agressiva, parou de brincar com as amigas, não quer mais ir para a escola, e vem passando por consulta com uma psicóloga para superar o sofrimento da ausência do companheiro de pelúcia.

A angústia da menina teve início em julho deste ano, na rodoviária de Campinas. As duas foram pegar o ônibus com destino à cidade de São Caetano do Sul para que a garota fosse fotografada para o catálogo de uma loja. Segundo conta a mãe, a garota recebe, esporadicamente, convites para trabalhos como "modelo mirim".

Como chegaram cedo para a partida, foram até uma livraria instalada na rodoviária para passar o tempo. Ao chegar na loja de livros, a menina foi para a seção infantil com a pelúcia em mãos.

"Eu disse pra ela guardar o brinquedo porque ela poderia esquecer", conta Sandra. Porém, Sofia preferiu segurar o "Popoti" enquanto olhava os livros e revistas infantis. Antes de descer para pegar o ônibus, a garota escolheu uma revista infantil para levar na viagem.

A mãe fez o pagamento e as duas desceram a escada rolante que dá acesso às plataformas.

Ao descer a escada rolante, Sandra percebeu que o ônibus estava quase saindo. Com pressa, elas correram e entraram no veículo. Depois de sentar, a mãe notou a falta do hipopótamo de pelúcia da filha e a questionou. "Ai mãe eu esqueci no chão da livraria", disse Sofia.

Sandra não pensou duas vezes. Desceu do ônibus com a filha e foi direto na loja procurar pelo brinquedo. A procura foi em vão, "Popoti" não estava mais na loja. Sandra e Sofia foram então ao setor de "achados e perdidos" da rodoviária. Entretanto, não havia nada por lá.

A mãe então decidiu pegar outro ônibus com destino a São Caetano do Sul para não perder o trabalho da menina. Sandra conta que a garota fez as fotos com muito desânimo, deixando aparentar que estava triste.

Após o ensaio, elas voltaram para casa, mas, antes, passaram novamente no setor de "achados e perdidos". Já era noite quando ouviram do responsável pelo setor que ninguém havia deixado o brinquedo por lá.

Percebendo a dor da filha, Sandra decidiu colocar vários anúncios em seu perfil no Facebook sobre o desaparecimento do brinquedo. "Deixei meu telefone na rodoviária, e ainda estou oferendo uma recompensa para quem devolvê-lo", avisa.

Tristeza

Após o sumiço, Sofia não foi mais a mesma. "A escola onde ela estuda percebeu a mudança de comportamento e encaminhou psicólogo e psicopedagogo. Ela era uma excelente aluna e, de repente, mudou radicalmente", conta a mãe.

A garota continua passando pela psicóloga, entretanto, Sandra conta que o auxílio não tem surtido efeito e que pensa em suspender o tratamento.

"Ela já passa pelo especialista há cerca de dois meses. A criança precisa superar isso. Mas se for ficar falando sobre isso toda hora, só vai fazer com que a menina se lembre do bichinho", conta ela preocupada.

O Correio ouviu a opinião de psicanalistas. Diva Moraes, professora formada em psicanálise, e Ricardo Magalhães, professor e especialista em saúde mental, dizem que tirar a garota do tratamento seria um erro.

"É normal a menina estar passando por esse sofrimento porque houve uma perda. Ela construiu no objeto uma espécie de "porto seguro", ou seja, ter aquela pelúcia era uma necessidade", explica Diva.

"A psicóloga, até agora, teve pouco tempo para trabalhar com a criança. O que pode estar acontecendo é que, talvez, a menina não tenha empatia pela médica dela. Nesse caso, procurar outro profissional pode ser uma alternativa", diz Magalhães.

Ambos os profissionais concordam que parar o procedimento médico é um erro. "Interromper o tratamento não trará benefício para a criança. O que é preciso é trabalhar outro caminho para suprir a necessidade da pelúcia. Por exemplo, a pintura ou o balé", concluem os professores.

Para Sofia, ter o "Popoti" de volta seria o melhor presente de Natal que ela poderia ganhar neste ano.

(Vinícius Agostini/ Correio.com)

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista