Publicado 09 de Novembro de 2015 - 15h50

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Cedoc/RAC

Eric Rocha

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Propina paga em meio a contratação das obras de construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) pode ter abastecido a campanha do petista Marcio Pochmann à Prefeitura de Campinas, em 2012. De acordo com reportagem publicada pela revista Veja desta semana, teriam sido repassados R$ 1,8 milhões a seis candidatos do PT naquele ano. A revelação teria sido feita a investigadores da Operação Lava-Jato pelo ex-diretor financeiro da construtora UTC, Walmir Pinheiro, que assinou um acordo de colaboração com a Justiça.

Comandada por Ricardo Pessoa – que também se tornou delator na Lava-Jato –, a UTC é uma das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras. A operação é considerada a maior investigação brasileira sobre corrupção até o momento. Promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná e com apoio da Polícia Federal, a força-tarefa começou com a investigação de uma rede de doleiros e descobriu um complexo esquema criminoso na estatal, com envolvimento de políticos e construtoras.

Segundo a publicação, Pinheiro era responsável pela “contabilidade clandestina” da UTC e “além de pagar propinas ao PT e a seus dirigentes, financiou a candidatura de prefeitos petistas com dinheiro de corrupção”. Além de Pochmann, teriam recebido dinheiro do petrolão, valendo-se de “doações oficiais”, as campanhas dos então candidatos Patrus Ananias (Belo Horizonte), Humberto Costa (Recife), Luiz Marinho (São Bernardo do Campo), Durval Ângelo (Contagem) e Paulo José Guedes (Montes Claros). Destes políticos, apenas Marinho conseguiu se reeleger nas eleições municipais de 2012.

Atual presidente da Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, Pochmann foi procurado ontem pelo Correio e negou que propina tenha sido injetada por meio de doações na campanha. “Não tivemos e nem aceitaríamos porque foi uma campanha pautada pela legislação. Da nossa parte, qualquer recurso que recebemos está na declaração de prestação de contas”, rebateu. Segundo a Justiça Eleitoral, a campanha petista para o Palácio dos Jequitibás naquele ano arrecadou R$ 6,2 milhões.

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Marcio Pochmann somou 147 mil votos (28,5%), ficou em segundo lugar no primeiro turno do pleito e superou o então prefeito Pedro Serafim (PRB, na época no PDT). No confronto direto com o atual chefe do Executivo, Jonas Donizette (PSB), em novembro daquele ano, no entanto, fez 231 mil votos (42,3%) contra os 315 mil (57,6%) do peessebista.

Operador

Ainda de acordo com a revista Veja, as empreiteiras UTC, Odebrecht e PPI se comprometeram a pagar R$ 15 milhões em propinas ao PT para garantir o contrato e tocar em consórcio parte da construção do Comperj, orçado em R$ 3,8 milhões. A reportagem também cita que os repasses irregulares depois ficariam sob o comando do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que entregava os recursos “à medida que os pagamentos da Petrobras eram liberados”. Entre os R$ 15 milhões citados, R$ 400 mil teriam ido parar nas mãos do secretário municipal de Saúde de São Paulo, José de Filippi, e outros R$ 1,6 milhão com o ex-ministro José Dirceu. “Vaccari parecia ter uma fragmentadora nas mãos, pois destruía todas as anotações de pagamento”, teria afirmado o ex-diretor financeiro da construtora UTC. A delação de Pinheiro aos procuradores teria durado um mês e contado com “duas dezenas de depoimentos”.

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Adagoberto F. Baptista