Publicado 09 de Novembro de 2015 - 10h10

Por Vilma Gasques

Dúvida que surge por parte dos pais como uma preocupação recorrente é sobre qual escola pode atender melhor às expectativas quanto ao aprendizado dos filhos

Foto ilustrativa/ reprodução

Dúvida que surge por parte dos pais como uma preocupação recorrente é sobre qual escola pode atender melhor às expectativas quanto ao aprendizado dos filhos

Não há como fugir do dilema na hora de fazer a matrícula para o próximo ano letivo. A dúvida que surge por parte dos pais como uma preocupação recorrente é sobre qual escola pode atender melhor às expectativas quanto ao aprendizado dos filhos. Diante disso, há a necessidade de se fazer uma pesquisa em relação aos preços ofertados e ao nível da qualidade do ensino oferecido.

Alguns pontos devem ser levados em consideração no momento da escolha para que os resultados se tornem eficazes, havendo, portanto, o aprendizado total e o bom desempenho dos educandos como cidadãos aptos a enfrentarem a realidade social que os cerca.

De acordo com orientações do movimento Educar para Crescer, que surgiu para propor melhorias da educação no Brasil, a primeira e mais importante pergunta que os pais devem fazer para si mesmos é sobre qual tipo de escola buscam. Diante da resposta, precisam refletir sobre 15 critérios, que não podem ser negligenciados.

O primeiro deles é a expectativa justamente em relação ao aprendizado e ao futuro da criança. Um dos conselhos do movimento é se perguntar se o que os pais querem é que o filho seja alfabetizado o quanto antes ou não, se quer muitas lições de casa ou, ainda, que tenha atividades extracurriculares.

É preciso também que os pais tenham empatia com a escola. Para isso, é importante que visitem o local durante o período de aulas, quando está funcionando normalmente, e observem as pessoas – funcionários, alunos e outros pais. A opinião da criança é importante, pois ela precisa se ver frequentando a instituição.

A proposta pedagógica é outro fator crucial na escolha. Os pais precisam confiar no método aplicado. Por isso, conversar com o diretor ou coordenador e pedir explicações sobre a metodologia de ensino, o uso de materiais pedagógicos e até mesmo o calendário escolar faz parte dessa escolha.

Sabendo o que se passa na escola, os pais têm condições de acompanhar os filhos com mais segurança durante o ano e ver se a teoria do projeto está de acordo com a prática.

O quadro de professores também deve ser observado, já que são esses profissionais os responsáveis pelo conhecimento a ser transmitido aos filhos. No Ensino Fundamental I não há obrigatoriedade de formação específica para os professores, mas, por lei, todos têm de ser graduados em pedagogia. A partir do 6o ano, quando começa o segundo ciclo do Ensino Fundamental, passa a ser obrigatória a formação específica.

Professor sempre atualizado

Todas as ações voltadas para trabalhar com a formação continuada de professores aperfeiçoam os projetos pedagógicos das escolas. De acordo com a professora doutora Rúbia Cristina Cruz, do Instituto de Educação e Ensino Superior de Campinas (Iescamp), um profissional bem formado e que possui atualização de conhecimentos da sua área sabe articular melhor a relação teoria e prática e consegue superar as expectativas das aprendizagens com os alunos.

Isso ocorre porque ele está melhor preparado para enfrentar os desafios educacionais contemporâneos, como a diversidade cultural e a inclusão de todas as pessoas no ambiente educacional.

“Essa questão não está esquecida por instituições responsáveis na sua tarefa de educar. Não se pode conceber um projeto pedagógico apenas voltado aos alunos. É necessário prever ações de formação continuada a todos os profissionais da escola, de todos os segmentos. Todos precisam compor uma equipe que se relaciona bem, que sabe tratar sua comunidade escolar e se inteirar com as atualizações de sua área”, afirma.

Segundo Rúbia, no Iescamp há algumas ações importantes, como o estabelecimento de uma comissão para promover discussão, avaliação e proposição de ações que melhorem as condições de ensinar e aprender, com reuniões periódicas com os profissionais. Há, também, cursos gratuitos e parcerias com instituições promotoras de educação internacional.

Fique atento!

As orientações do movimento Educar para Crescer vão além da formação dos profissionais e do projeto pedagógico. Confira algumas para uma escolha mais acertada.

- Atualidade da escola - a educação, assim como as outras áreas de conhecimento, está em constante transformação. Novas pesquisas são apresentadas todos os anos e os profissionais refinam sua formação para entender melhor a relação ensino/aprendizado. Sai na frente a escola que se mantém por dentro dessas descobertas e busca melhorar seus métodos, além de contar com profissionais atualizados.

- Estrutura - os ambientes têm de ter uma função de aprendizado da criança. Além das salas de aula, quadras para a prática de esportes nas aulas de educação física, sala de música e de artes, laboratório de ciências, sala com computadores e biblioteca são apenas alguns dos espaços considerados interessantes.

- Método de avaliação - esse ponto complementa a linha pedagógica adotada pela escola e é importante que os pais saibam como o aluno é avaliado e se eles recebem os relatórios das notas, que podem ser compostas por provas, conceitos, participação na sala, trabalhos em grupo e lições de casa. Um ponto fundamental é se a escola oferece reforço para os alunos que não estejam conseguindo acompanhar o ritmo da classe. Em geral, são aulas dadas fora do horário normal.

- Número de alunos – o que importa não é o tamanho da escola, mas a relação de alunos por profissional. Quanto menor o número de alunos por professor, melhor. Ou seja, uma classe de 30 alunos com um professor apenas pode não ser tão bem atendida quanto uma com 20.

- Localização - em geral, os pais não querem que os filhos passem muito tempo no trânsito para evitar o estresse que isso pode trazer. Então, o melhor é optar por uma escola mais próxima à sua casa. Também é bom lembrar que a escola precisa ter um lugar para estacionar no horário de entrada e saída dos alunos.

- Atividades extracurriculares - muitas escolas oferecem aulas de natação ou outros esportes, dança, música e idiomas fora do período de aula, o que pode facilitar muito a vida dos pais que trabalham e não podem ficar se deslocando com as crianças o dia todo. Se realizarem atividades extras na escola, os alunos podem permanecer lá em período integral. Porém, é bom lembrar que as crianças precisam de tempo para fazer a lição de casa, brincar e descansar.

- Limpeza e segurança - é outro ponto a ser considerado pelos pais. Os banheiros precisam ser limpos constantemente. Os materiais pedagógicos devem ficar dispostos nas salas e o ambiente precisa ser organizado. Em relação à segurança, a escola tem que garantir que estranhos não entrem no local a qualquer hora e ter um bom esquema de vigilância para que os pais fiquem sossegados e os alunos, seguros.

- Alimentação - se a escola possui cantina, os pais devem verificar se ela oferece opções balanceadas de lanches. A orientação é para que as crianças não consumam refrigerantes e salgadinhos – além de engordar, esses produtos não garantem energia necessária para que elas fiquem atentas e dispostas a aprender.

- Inclusão – é preciso que a escola ofereça tratamento igual a todos os alunos e uma relação consciente com a sociedade como um todo.

- Adaptação - depois de feita a escolha, a primeira coisa à qual se deve prestar atenção é se a criança está feliz. Uma boa adaptação não só garante o bem-estar do aluno, mas também uma abertura muito maior ao aprendizado.

Escrito por:

Vilma Gasques