Publicado 16 de Novembro de 2015 - 10h07

Por France Press

Os dois candidatos ao segundo turno das eleições presidenciais argentinas protagonizaram na noite de domingo um debate cheio de acusações e com poucas respostas, no qual o conservador Mauricio Macri se mostrou mais confiante que o governista Daniel Scioli.

A apenas uma semana das eleições, os dois candidatos se mostraram dispostos a conquistar os sete milhões de eleitores que não votaram em nenhum deles no primeiro turno de 25 de outubro, quando Scioli, 58 anos, obteve 37,08% dos votos e Macri, 56 anos, 34,15%.

Este resultado não previsto pelas pesquisas anteriores já foi uma grande vitória para a aliança de centro-direita 'Cambiemos' de Macri.

"As propostas de Macri são um perigo para o país", disparou Scioli, o candidato apoiado pela presidente Cristina Kirchner.

"Não, não vou fazer reajustes, deixe de mentiras", respondeu Macri.

O oposicionista se mostrou mais descontraído, com atitude de vencedor e de quem está liderando as pesquisas, apesar do grande número de indecisos.

Scioli, mais formal e um tanto tenso, tentou mostrar firmeza.

No entanto, aos dois falta um pouco de carisma e de eloquência, segundo os analistas.

"Estão jogando todas as cartas. Existem diferenças claríssimas. Existem perguntas que não são respondidas", comentou sociólogo Jorge Giaccobe, da consultoria de mesmo nome.

O debate inédito para o primeiro segundo turno da história eleitoral do país foi transmitido ao vivo pelos seis canais abertos, os canais a cabo de notícias, sites e emissoras de rádio.

A audiência atingiu 50% e o Twitter registrou dois milhões de comentários, segundo a ONG Argentina Debate, organizadora da iniciativa.

A última pesquisa da consultoria Management & Fit, publicada no sábado, dava a Macri 46% dos votos frente a 40% para Scioli, mas com 11% de indecisos, além de 4,3% de votos em branco. Outras pesquisas exibiram tendências similares.

Sem respostas

O debate durou 75 minutos e atraiu a atenção de 32 milhões de espectadores.

Os temas foram desenvolvimento econômico e humano; educação e infância, segurança e direitos humanos e fortalecimento democrático, mas as respostas em sua maioria foram superficiais, com os dois candidatos se esquivando para não responder a perguntas incômodas.

Scioli, atual governador da província de Buenos Aires, e Macri, prefeito da capital, tentaram destacar seus êxitos e exibir os fracassos do outro.

Scioli tentou distanciar-se do estilo de confrontação do governo Kirchner, mas defendendo suas políticas públicas.

"Você não é a mudança, é a continuidade", acusou Macri, que respondeu comprometendo-se a não se ajoelhar ante o "Fundo Monetário Internacional nem aos fundos abutres".

"Só rindo", ironizava Macri quando Scioli não respondia diretamente.

"Agora é preciso optar. Há dois caminhos pela frente: um quer o desenvolvimento, o outro quer o ajuste", definiu Scioli.

Já o prefeito de Buenos Aires pediu sanções para a Venezuela e o fim do acordo com o Irã dentro da investigação do atentado do centro judeu AMIA (85 mortos em 1994), assunto do qual Scioli se esquivou.

"O que estamos vendo é o que melhor que temos, não há muito mais que isso", afirmou Giaccobe sobre o nível do debate.

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