Publicado 14 de Novembro de 2015 - 15h31

Luiz Carlos Iasbeck, professor de comunicação da Universidade Católica de Brasília, está em Paris para comemorar seu aniversário. Segundo ele, por intuição decidiu não sair de casa ontem. “Por alguma intuição, decidi não ir sexta-feira (13) à noite ao Stade de France, assistir França e Alemanha. Fiquei com preguiça e cancelei também o jantar”. Luiz Carlos tinha feito reservas em um restaurante para jantar com a mulher.

“Como esta semana começa a conferência do clima, aqui terá gente do mundo inteiro. Acredito que o atentado foi pensado nessa época por causa do evento”, afirmou Luiz Carlos. Ele disse ainda que as ruas estão bastantes vazias e que as pessoas estão “ressabiadas”.

Professora de cinema da Universidade Federal de Pernambuco, Mannu Costa mora atualmente em Paris, onde faz doutorado.“Estava indo para casa e recebi muitas mensagens da família e de amigos. Por azar, estava com 3% de bateria no celular e achei por bem não começar a responder, porque isso podia causar ainda mais angústia e eu podia precisar do celular pra uma emergência”.

Em entrevista à Radioagência Nacional, Mannu informou que ontem (13), por volta das 23 hs, os bares e restaurantes já estavam fechando as portas. “Moro em um lugar bastante turístico, onde normalmente às sextas-feiras tem muita gente até tarde da noite. Mas às 11h já tinha muita coisa fechando. Algumas lojas fecharam as portas com os clientes dentro.”

Outra brasileira que está em Paris é Lorna Daufenbach. Na capital francesa para fazer turismo, ela informou à Agência Brasil que acordou hoje (14) de madrugada com telefonemas e mensagens de parentes preocupados.

Lorna disse que, por causa do atentado e com medo de ficar em Paris, tentou antecipar o voo para Amsterdã, mas não conseguiu. “Tentamos trocar o voo, mas, por algum problema com a Air France, não foi possível trocar e acabamos tendo de ficar o dia inteiro aqui.”

Segundo Lorna, o aeroporto está tranquilo e os voos estão saindo normalmente.

Apesar das recomendações da polícia para ficarem em casa e de algumas sirenes que ainda são ouvidas na capital francesa, várias pessoas, entre elas o casal de brasileiros Felipe Kaiser e Kelly Freitas, foram às ruas. Felipe e Kelly moram ao lado do Bataclan e ficaram toda a noite em casa, com “medo” do que estava ocorrendo.

“A gente começou a ouvir a sequência de tiros. Parecia que estávamos em uma guerra. Ficamos em casa, com medo que acontecesse alguma coisa. Logo depois, os jornais começaram a noticiar que estavam atirando no Canal Saint Martin e que havia uma carnificina no Bataclan. Em seguinda, a polícia entrou e ouvimos as explosões”, informou Kelly.

Kelly Freitas afirmou que quis sair para ver o que estava ocorrendo com os próprios olhos. “Moramos ao lado do Bataclan e queríamos saber como estava a situação. Queríamos entender o que estava se passando." Segundo ela, a maior parte das lojas comerciais e cafés está aberta.

Nos atentados de ontem à noite em Paris, pelo menos 127 pessoas morreram e 180 ficaram feridas, 80 dos quais em estado crítico. Oito terroristas morreram, sete deles suicidas, que usaram cintos com explosivos nos atentados.

Os ataques ocorreram em pelo menos seis locais diferentes da cidade, entre eles uma sala de espetáculos e no Stade de France, onde ocorria um jogo de futebol entre as seleções de França e Alemanha.

A França decretou o estado de emergência e restabeleceu o controle de fronteiras após os ataques classificados pelo presidente François Hollande como "ataques terroristas sem precedentes no país".

* Com informações da Agência Lusa