Publicado 14 de Novembro de 2015 - 12h41

Por France Press

A França acordou neste sábado em estado de choque após uma noite de pesadelo, em que 127 pessoas foram mortas em uma série de ataques terroristas em Paris e sua região metropolitana

AFP

A França acordou neste sábado em estado de choque após uma noite de pesadelo, em que 127 pessoas foram mortas em uma série de ataques terroristas em Paris e sua região metropolitana

A França acordou neste sábado em estado de choque após uma noite de pesadelo, em que 127 pessoas foram mortas em uma série de ataques terroristas em Paris e sua região metropolitana.

Dez meses após os atentados jihadistas contra a revista satírica Charlie Hebdo, policiais e judeus, as autoridades franceses decretaram estado de emergência.

Oito terroristas morreram, incluindo sete que se explodiram, nesta série de ataques realizados em Paris na casa de espetáculos Bataclan, em várias ruas no coração da capital, e perto do Stade de France, onde o presidente François Hollande assistia a uma partida entre as seleções da França e Alemanha.

Ao todo, seis ataques quase simultâneos a partir das 21H20 (18H20 de Brasília), foram registrados em vários locais, principalmente no leste de Paris.

Estes ataques ainda não foram reivindicados, mas a suspeita recaiu imediatamente sobre o movimento islamita: esta "terrível provação (...) nós sabemos de onde vem, de criminosos, de terroristas", declarou o presidente François Hollande, que decretou estado de emergência em todo o território.

Os primeiros testemunhos de sobreviventes apontam que os atiradores gritaram "Alá Akbar" (Deus é grande) e citaram a intervenção francesa na Síria para justificar as ações.

"Eram pessoas familiarizadas no manuseio de armas de guerra. Eram homens muito determinados, que recarregavam metodicamente suas armas. Sem escrúpulos", relatou Julian Pearce, um jornalista da rádio Europe 1, que estava no Bataclan e descreveu um dos agressores como uma "máquina de matar", que "abatia metodicamente as pessoas caídas no chão".

A escala desta tragédia semeou terror na capital, a duas semanas da conferência sobre o clima da ONU em Paris (COP21), onde são esperados mais de uma centena de chefes de Estado e de Governo.

No total, pelo menos 128 pessoas foram mortas e cerca de 180 ficaram feridos, incluindo 80 gravemente, de acordo com fontes próximas à investigação.

A Justiça abriu uma investigação por assassinatos em conexão com o terrorismo sobre esses ataques, os mais mortíferos na Europa desde os atentados islâmicos em Madri, em março de 2004.

"A prioridade é identificar os corpos, incluindo os dos terroristas, que em sua maioria foram pulverizados quando explodiram a si mesmos", explicou uma fonte policial à AFP.

No campo, equipes de legistas começaram na sexta-feira à noite os trabalhos.

'Um açougue'

Nenhuma prisão foi realizada e os investigadores sugeriram que não estavam procurando qualquer pessoa nesta fase.

Eles vão assistir "horas de imagens de circuitos de segurança interna para determinar as circunstâncias" dos ataques, indicou uma fonte policial, acrescentando: "Uma vez identificados os terroristas, vamos determinar se tiveram a ajuda de cúmplices".

Quatro terroristas morreram no Bataclan, incluindo três ao ativar um cinto de explosivos, o último foi morto durante a intervenção das forças da ordem.

Três homens-bomba morreram no Stade de France, e outro no Boulevard Voltaire, no centro de Paris.

No Bataclan, a intervenção policial foi decidida "muito rapidamente, porque eles estavam matando todo mundo", indicou uma fonte próxima à investigação.

"Um verdadeiro açougueiro. Dentro da casa, pessoas com tiros na cabeça, pessoas que foram atingidas quando estavam no chão", relatou, em frente ao local, um policial que participou da intervenção durante a noite.

O presidente Hollande visitou ainda na noite de sexta-feira o Bataclan, onde afirmou que "a batalha será implacável" contra a "barbárie".

Mais cedo, em um discurso televisionado, o chefe de Estado havia declarado estado de emergência, denunciando "uma monstruosidade" e "ataques terroristas sem precedentes".

O Eliseu anunciou a mobilização de 1.500 militares adicionais e o reforço dos controles nas fronteiras. Um Conselho de Defesa estava em andamento neste sábado no Palácio do Eliseu.

'Coordenação internacional'

Pelo menos 82 pessoas morreram na casa de espetáculos Bataclan, lotada com quase 1.500 espectadores quando os terroristas invadiram o local durante a apresentação do grupo americano Eagles of Death Metal.

"Eu os escutei claramente dizer aos reféns 'é a culpa de Hollande, é a culpa do presidente de vocês, que não deveria intervir na Síria'", relatou à AFP Pierre Janaszak, apresentador de rádio e TV.

Em um movimento de união nacional, os principais partidos franceses já anunciaram a suspensão de sua campanha para as eleições regionais marcadas para dezembro.

Na região de Paris, as escolas e universidades foram fechadas neste sábado e os eventos esportivos suspensos neste fim de semana.

O chefe da diplomacia francesa, Laurente Fabius, considerou neste sábado "mais do que nunca necessário coordenar a luta internacional contra o terrorismo", pouco antes da abertura de uma cúpula sobre a Síria em Viena.

"Um dos objetivos da reunião de hoje em Viena é precisamente ver concretamente como podemos aumentar nossa coordenação internacional na luta contra o Daesh (acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico)".

A comunidade internacional condenou os ataques, que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou de atentado "contra toda a humanidade", e transmitiu sua solidariedade à França.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, chamou os ataques de "crime contra a humanidade" e adiou a viagem prevista para a Itália, no sábado, e França, na segunda-feira.

Atentados em Paris: 300 pessoas hospitalizadas, incluindo 80 em estado crítico

Trezentas vítimas dos atentados de sexta-feira à noite em Paris, incluindo 80 feridos em "situação de emergência absoluta" e 177 em emergência "relativa", foram recebidos em hospitais públicos de Paris, anunciaram.

Esta contagem incluiu 43 "testemunhas ou parentes", cuja condição psicológica necessitou de cuidados médicos, detalhou a Assistência Pública dos Hospitais de Paris, que supervisiona todas as instituições. Cinquenta e três pessoas já receberam alta.

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