Publicado 14 de Novembro de 2015 - 12h17

Por France Press

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou neste sábado (14) os ataques que deixaram pelo menos 128 mortos em Paris

KENZO TRIBOUILLARD/ AFP

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou neste sábado (14) os ataques que deixaram pelo menos 128 mortos em Paris

O grupo jihadista Estado Islâmico reivindicou neste sábado a carnificina sem precedentes ocorrida em Paris e qualificada de "ato de guerra" pelo presidente François Hollande, que provocou um grande choque em um país já atingido por atentados jihadistas há 10 meses.

"Oito irmãos usando cintos explosivos e armados com fuzis atacaram ocais cuidadosamente escolhidos, no coração de Paris", afirma o comunicado, publicado em duas versões, em árabe e em francês.

Pouco antes da reivindicação, o presidente francês acusou a organização de estar por trás da série de ataques que fizeram 128 mortos e 250 feridos em Paris e sua região metropolitana.

"O que aconteceu ontem foi um ato de guerra (...) que foi cometido pelo Daesh (acrônimo em árabe de EI). Ele foi preparado, organizado, planejado no exterior, com cúmplices internos que a investigação deverá estabelecer", declarou Hollande durante uma breve alocução no palácio do Eliseu.

O EI opera na Síria e no Iraque e conta com milhares de jihadistas estrangeiros, incluindo franceses, em suas fileiras. Já Paris, participa de uma coalizão internacional que realiza ataques aéreos contra os terroristas nesses dois países.

"A França será implacável", assegurou Hollande, indicando que "todas as medidas para assegurar a segurança dos cidadãos serão tomadas como parte do estado de emergência" decretado à noite.

"As forças de segurança internas e o exército estão mobilizados no mais alto nível de suas possibilidades" e "todos os dispositivos de segurança foram reforçados", assegurou.

Ele decretou luto nacional de três dias e anunciou que falará na segunda-feira ante o Parlamento francês reunido em Congresso em Versalhes, perto de Paris, "para unir a Nação nesta provação".

'Máquina de matar'

Dez meses após os atentados jihadistas contra a revista satírica Charlie Hebdo, policiais e judeus, as autoridades franceses decretaram estado de emergência.

Oito terroristas morreram, incluindo sete que se explodiram, nesta série de ataques realizados em Paris na casa de espetáculos Bataclan, em várias ruas no coração da capital, e perto do Stade de France, onde o presidente François Hollande assistia a uma partida entre as seleções da França e Alemanha.

Ao todo, seis ataques quase simultâneos a partir das 21H20 (18H20 de Brasília), foram registrados em vários locais, principalmente no leste de Paris.

Os primeiros testemunhos de sobreviventes apontam que os atiradores gritaram "Alá Akbar" (Deus é grande) e citaram a intervenção francesa na Síria para justificar as ações.

"Eram pessoas familiarizadas no manuseio de armas de guerra. Eram homens muito determinados, que recarregavam metodicamente suas armas. Sem escrúpulos", relatou Julian Pearce, um jornalista da rádio Europe 1, que estava no Bataclan e descreveu um dos agressores como uma "máquina de matar", que "abatia metodicamente as pessoas caídas no chão".

A escala desta tragédia semeou terror na capital, a duas semanas da conferência sobre o clima da ONU em Paris (COP21), onde são esperados mais de uma centena de chefes de Estado e de Governo.

No total, pelo menos 128 pessoas foram mortas e cerca de 250 ficaram feridas, incluindo 80 gravemente, de acordo com fontes próximas à investigação.

A Justiça abriu uma investigação por assassinatos em conexão com o terrorismo sobre esses ataques, os mais mortíferos na Europa desde os atentados islâmicos em Madri, em março de 2004.

"A prioridade é identificar os corpos, incluindo os dos terroristas, que em sua maioria foram pulverizados quando explodiram a si mesmos", explicou uma fonte policial à AFP.

No campo, equipes de legistas começaram na sexta-feira à noite os trabalhos.

Nenhuma prisão foi realizada e os investigadores sugeriram que não estavam procurando qualquer pessoa nesta fase.

Eles vão assistir "horas de imagens de circuitos de segurança interna para determinar as circunstâncias" dos ataques, indicou uma fonte policial, acrescentando: "Uma vez identificados os terroristas, vamos determinar se tiveram a ajuda de cúmplices".

Quatro terroristas morreram no Bataclan, incluindo três ao ativar um cinto de explosivos, o último foi morto durante a intervenção das forças da ordem.

Três homens-bomba morreram no Stade de France, e outro no Boulevard Voltaire, no centro de Paris.

No Bataclan, a intervenção policial foi decidida "muito rapidamente, porque eles estavam matando todo mundo", indicou uma fonte próxima à investigação.

"Um verdadeiro açougueiro. Dentro da casa, pessoas com tiros na cabeça, pessoas que foram atingidas quando estavam no chão", relatou, em frente ao local, um policial que participou da intervenção durante a noite.

O presidente Hollande visitou ainda na noite de sexta-feira o Bataclan, onde afirmou que "a batalha será implacável" contra a "barbárie".

Mais cedo, em um discurso televisionado, o chefe de Estado havia declarado estado de emergência, denunciando "uma monstruosidade" e "ataques terroristas sem precedentes".

O Eliseu anunciou a mobilização de 1.500 militares adicionais e o reforço dos controles nas fronteiras. Um Conselho de Defesa estava em andamento neste sábado no Palácio do Eliseu.

Em um movimento de união nacional, os principais partidos franceses já anunciaram a suspensão de sua campanha para as eleições regionais marcadas para dezembro.

Na região de Paris, as escolas e universidades foram fechadas neste sábado e os eventos esportivos suspensos neste fim de semana.

A comunidade internacional condenou os ataques, que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou de atentado "contra toda a humanidade", e transmitiu sua solidariedade à França.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, chamou os ataques de "crime contra a humanidade" e adiou a viagem prevista para a Itália, no sábado, e França, na segunda-feira.

Escrito por:

France Press