Publicado 13 de Novembro de 2015 - 19h24

Por France Press

Um juiz norte-americano do conservador estado de Utah revogou nesta sexta-feira (13) sua decisão de retirar a guarda de um bebê de um casal de lésbicas - considerando que a pequena viveria melhor com uma família heterossexual.

O magistrado Scott Johansen deu marcha à ré e cancelou a ordem para que a menina abandonasse o lar de Beckie Peirce e April Hoagland antes de 17 de novembro, segundo o jornal The Salt Lake Tribune.

Além disso, marcou uma audiência para 4 de dezembro durante a qual será determinado com quem deve viver a pequena de nove meses. 

O advogado do casal, Jim Hunnicutt, não conseguiu ser contatado imediatamente pela AFP para comentar o caso. 

Peirce e Hoagland, casadas desde o ano passado, estavam no processo de adotar a menina que acolheram no meio deste ano. 

Mas, contra todos as expectativas, o juiz Johansen paralisou o caso na terça-feira (10) tendo como base uma investigação segundo a qual as crianças estão melhor com famílias heterossexuais, embora não tenha apresentado nenhum documento para justificar seu parecer. 

O casal e os serviços sociais de Utah (oeste) apresentaram na quinta-feira (12) apelações separadas à decisão, que contradiz as leis federais. 

Os homossexuais não têm restrições para adotar desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou em 26 de junho o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 

"Nunca pensei que algo assim poderia voltar a acontecer", declarou nesta semana Peirce, que está criando seus dois filhos biológicos com Hoagland.

O juiz Johansen "nunca esteve em nossa casa, não passou tempo com nossa filha, ou nossos filhos, então não sabe de nada", afirmou a mulher. 

"A amamos muito e ela nos ama também, e não fizemos nada de mal", afirmou. 

A decisão do juiz surpreendeu tanto os serviços sociais como a mãe biológica da menina, que apoiam a adoção, e provocou indignação entres os grupos que lutam pelos direitos da comunidade LGBT. 

Peirce e Hoagland estão convencidas de que o juiz quis paralisar a adoção por suas crenças religiosas.

Mais da metade dos 3 milhões de habitantes de Utah são mórmons e criticam os casais homossexuais.

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