Publicado 13 de Novembro de 2015 - 19h14

Por France Press

Até 7.500 combatentes curdos participam na operação para retomar Sinjar

Safin Hamed/France Press

Até 7.500 combatentes curdos participam na operação para retomar Sinjar

As forças curdas iraquianas recuperaram nesta sexta-feira (13) o controle da cidade de Sinjar, até então nas mãos do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), cortando assim uma estratégica rota utilizada pelos terroristas entre o Iraque e a Síria.

"Estou aqui para anunciar a libertação de Sinjar", declarou o líder da região autônoma do Curdistão iraquiano, Massud Barzani, durante uma coletiva de imprensa perto desta cidade do norte do Iraque.

A tomada de Sinjar corta, assim, uma via estratégica de comunicação utilizada pelos jihadistas entre o Iraque e a vizinha Síria.

Paralelamente, uma coalizão árabe-curda síria, apoiada pelos Estados Unidos, expulsou os jihadistas do EI de uma posição estratégica na fronteira com o Iraque, segundo o porta-voz do grupo.

Em uma entrevista concedida à ABC News, o presidente americano Barack Obama garantiu que os Estados Unidos frearam os avanços do EI.

"Eu não acredito que eles estão ganhando força", disse Obama. "Desde o início, nosso primeiro objetivo é conter, e o temos contido. Eles não ganharam terreno no Iraque", declarou em referência aos terroristas.

Pouco antes, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou estar "absolutamente confiante" de que Sinjar será libertada "nos próximos dias" graças a ofensiva das forças curdas, lançada na quinta-feira (12) com o apoio dos ataques aéreos da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos e de conselheiros americanos no terreno.

Sinjar fica localizada em um eixo que liga Mossul (norte), reduto do EI no Iraque, aos territórios controlados por este grupo na Síria, e que permite aos jihadistas transportar material e homens entre os dois países, onde controlam vastos territórios.

'Longa vida ao Curdistão'

Pela manhã, centenas de peshmergas (combatentes curdos), vestindo roupas camufladas e transportando fuzis de assalto e metralhadoras, entraram na cidade a pé, a partir do norte, segundo um jornalista da AFP no local.

Eles exibiam bandeiras do Curdistão, disparando para o ar, aos gritos de "Longa vida aos Peshmergas!" e "Longa vida ao Curdistão!".

"Sinjar foi libertada pelo sangue dos peshmergas e faz parte a partir de agora do Curdistão", acrescentou Barzani, em declarações que podem provocar a irritação do poder central, em Bagdá.

Mahma Khalil, outro líder curdo, indicou à AFP no início da noite que a situação era "estável em Sinjar", acrescentando que "todos os combatentes do EI fugiram" da cidade.

"A coalizão lançou mais de 250 ataques aéreos" em apoio à operação militar, declarou nesta sexta o coronel Steve Warren, porta-voz das operações internacionais contra o EI, durante coletiva de imprensa.

"Estimamos ter matado mais de 200 combatentes inimigos ao longo dos últimos dias", acrescentou.

A retomada de Sinjar pode desferir um importante golpe contra os jihadistas no plano estratégico, mas também representar uma importante vitória simbólica: os jihadistas tomaram a cidade em agosto de 2014, cometendo inúmeros abusos contra sua população yazidi, de língua curda.

A visão da cidade é de desolação, com casas, lojas e carros destruídos.

Suicidas e atiradores

Segundo um comandante curdo, Khalaf Murad Atto, combatentes suicidas do EI ainda estavam em Sinjar. Um combatente yazidi, Rasho Mourad, indicou que atiradores e bombas também são uma ameaça.

Uma das tarefas que esperam as forças curdas na cidade é desarmar as bombas deixadas pelos jihadistas, uma tática amplamente utilizada pelo EI para evitar seus inimigos de entrar em uma cidade.

Até 7.500 combatentes curdos participam na operação para retomar Sinjar e "estabelecer uma zona tampão para proteger (a cidade) seu povo", segundo o Conselho de Segurança da região autônoma do Curdistão iraquiano (KRSC), no norte do país.

Conselheiros militares americanos estão "na montanha de Sinjar para ajudar" os Peshmergas "a selecionar alvos para ataques aéreos", indicou, por sua vez, o porta-voz do Pentágono, Peter Cook.

Um oficial da inteligência militar americana, o capitão Chance McCraw, afirmou em Bagdá que os Peshmergas enfrentam de 300 a 400 jihadistas na localidade de Sinjar.

Vários veículos carregados com explosivos foram alvejados pelas incursões da coalizão antes de os curdos entrarem na cidade, enquanto os Peshmergas destruíram outro com um míssil anti-tanque Milan, de acordo com KRSC.

A cidade de Sinjar fica em uma rota estratégica que liga Mossul (norte), reduto dos jihadistas no Iraque, à Síria, onde o EI também controla vastos territórios.

O objetivo da operação é isolar Mossul, segundo Steve Warren.

"Ao cortar a comunicação na autoestrada 47 (do Iraque à Síria) estamos reduzindo a capacidade de abastecimento do EI", completou Warren.

O fato da operação em Sinjar acontecer ao mesmo tempo que outras ações contra o EI no Iraque e na Síria aumenta a pressão sobre o grupo jihadista.

A operação "Paralisar o inimigo", que "deverá tomar decisões muito difíceis" nas frentes que precisa para fortalecer, disse Steve Warren.

Durante sua ofensiva em agosto de 2014 em Sinjar, o EI executou muitos homens yazidis, uma comunidade que considera herética, e sequestrou centenas de mulheres, vendidas como noivas para jihadistas ou reduzidas a escravas sexuais, segundo a Anistia Internacional.

O ataque foi descrito pela ONU como "genocídio". Dezenas de milhares de yazidis se refugiaram nas montanhas de Sinjar, permanecendo bloqueados por semanas sem água, comida e submetidos a altas temperaturas.

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