Publicado 13 de Novembro de 2015 - 17h00

Por France Press

Um dos terroristas mais procurados do mundo,

HO / SITE Intelligence Group / AFP

Um dos terroristas mais procurados do mundo, "Jihadista John" morre em ataque dos EUA na Síria

Um dos homens mais procurados do mundo, o "Jihadista John", carrasco britânico do grupo Estado Islâmico (EI) que decapitou vários reféns estrangeiros, foi alvo de um ataque dos Estados Unidos na Síria e morreu.

"Ainda não temos certeza do sucesso do ataque" contra Mohammed Emzawi, mas a morte "desse assassino bárbaro seria um golpe no coração do Estado Islâmico", afirmou nesta sexta-feira o primeiro-ministro britânico, David Cameron, em uma breve declaração à imprensa.

"Foi um ato de autodefesa, a coisa certa foi feita", acrescentou o primeiro-ministro, defendendo a legitimidade do ataque.

Emwazi, um cidadão britânico, participou em vídeos que mostram os assassinatos dos jornalistas americanos Steven Sotloff e James Foley, do voluntário americano Abdul-Rahman Kassig, dos voluntários britânicos David Haines e Alan Henning, do jornalista japonês Kenji Goto além de outros inúmeros reféns.

O Pentágono informou que o ataque aéreo, realizado quinta-feira à noite, ocorreu em Raqa (norte da Síria), a capital do 'califado' autoproclamado em 2014 pelo Estado Islâmico.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), com sede na Inglaterra, informou que quatro pessoas morreram em um ataque nesta madrugada em Raqa.

O porta-voz do Pentágono, Peter Cook não informou se Mohamed Emwazi morreu, afirmando apenas que "os resultados da operação realizada durante a madrugada estão sendo avaliados e informações adicionais serão dadas quando for apropriado", segundo comunicado.

Já a cadeia CNN e o jornal Washington Post, citando dirigentes americanos, afirmam que o ataque foi realizado com um drone e que o objetivo foi identificado vários dias antes pela inteligência americana.

Familiares das vítimas do terrorista comemoraram o ataque.

"Senti alívio ao saber que ele nunca mais aparecerá em um desses vídeos horríveis", declarou à televisão ITV Bethany Haines, filha de David Haines.

No entanto, "embora tenha desejado muito a sua morte, também queria respostas para as perguntas de por que ele fez isso, por que meu pai, e o que ganhou com isso", lamentou.

"Eu queria que o mascarado covarde sofresse da mesma forma que Alan e seus amigos, mas estou feliz que tenha sido destruído", tuítou Stuart Henning, sobrinho de Alan Henning.

Por sua vez, Diane Foley, a mãe do jornalista americano James Foley, criticou o fato de haver mais esforços para acabar com Emwazi "do que para resgatar esses jovens americanos quando estavam vivos."

Golpe simbólico

A possível morte de Emwazi "é mais um golpe simbólico", estimou Raffaello Pantucci, diretor de estudos de segurança internacional no instituto de pesquisa RUSI (Royal United Services Institute), em Londres.

"Taticamente não mudará nada para o grupo", acrescentou. No entanto, "ao eliminar uma figura proemimente, você mostrar que tem um longo alcance".

Para o especialista Ranj Alaaldin, da London School of Economics (LSE), o ataque "mina a aura de invencibilidade" do Estado Islâmico.

Emwazi, um programador de informática de Londres, nasceu no Kuwait, em uma família apátrida de origem iraquiana.

Seus pais imigraram para a Grã-Bretanha em 1993 depois que seus pedidos de cidadania kuwaitiana fracassaram.

Ele apareceu pela primeira vez em um vídeo em agosto de 2014, no qual decapita James Foley, jornalista freelancer de 40 anos que desapareceu na Síria em novembro de 2012.

O vídeo, intitulado "Uma mensagem à América" ?provocou condenações em todo o mundo.

Testemunhos sobre Emwazi o descreveram como um jovem londrino sem problemas aparentes, que gostava de futebol e videogame, que se radicalizou e se tornou um "frio, sádico e impiedoso" assassino, nas palavras de um refém.

O ataque em Raqa coincide com o apoio dos Estados Unidos aos combatentes curdos que lançaram uma ofensiva para recuperar a cidade de Sinjar, no norte do Iraque.

O EI controla muitas áreas no Iraque e na Síria, devastada desde 2011 por um conflito complexo que já fez mais de 250 mil mortes.

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