Publicado 13 de Novembro de 2015 - 10h05

Por France Press

Equipes de emergência se reúnem no local de um atentado suicida duplo em Burj al-Barajneh, nos subúrbios ao sul da capital Beirute

ANWAR AMRO/ AFP

Equipes de emergência se reúnem no local de um atentado suicida duplo em Burj al-Barajneh, nos subúrbios ao sul da capital Beirute

Um duplo atentado suicida em um reduto do Hezbollah xiita, na periferia sul de Beirute, deixou pelo menos 41 mortos e mais de 200 feridos nesta quinta-feira (12), segundo a Cruz Vermelha e a polícia libanesas.

Na última hora da tarde, dois homens a pé detoraram seus cintos explosivos em frente a um centro comercial do bairro Burj al Barajne. O exército informou ter encontrado morto um terceiro terrorista, que não conseguiu detonar o artefato que levava consigo.

Este foi o pior ataque contra o movimento xiita desde que o mesmo interveio na Síria para apoiar o regime de Bashar al Assad, em 2013.

Segundo um balanço da Cruz Vermelha libanesa, o atentado deixou 41 mortos e 181 feridos. Já o ministro da Saúde libanês, Wael Abu Faur, mencionou mais de 200 feridos, muitos deles em estado grave.

Um fotógrafo da AFP viu corpos ensaguentados em meio a lojas e carros destruídos. Vários socorristas e civis levavam os feridos.

"Temos dezenas de feridos e continuam chegando mais", disse um médico do hospital Bahman, em Haret Hreil, bairro xiita vizinho.

- Reação internacional -

A Casa Branca e as Nações Unidas condenaram os ataques "terroristas horríveis" em Beirute, afirmando que "tais atos de terror apenas fortalecem nosso compromisso de apoiar as instituições do estado libanês, incluindo os serviços de segurança, para garantir um Líbano estável, soberano e seguro".

"Oferecemos nossas mais profundas condolências às famílias e entes queridos dos mortos e feridos neste ato violento. Os Estados Unidos se manterão firmes ao lado do governo do Líbano enquanto este busca levar à justiça os responsáveis por este ataque", disse o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança Ned Price.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, qualificou o ataque de "ato depreciável" e convocou os libaneses a "continuar trabalhando para preservar a segurança e a estabilidade" do Líbano.

Ban também reafirmou "o apoio da ONU às instituições libanesas, entre as quais as forças armadas e os serviços de segurança, em seus esforços para garantir a segurança do Líbano e de sua população".

O secretário-geral manifestou ainda seu desejo de que "os responsáveis por este ato terrorista sejam rapidamente julgados".

- Retaliação por apoio ao regime sírio -

Entre julho de 2013 e fevereiro de 2014, houve nove atentados contra redutos do Hezbollah em regiões fiéis ao movimento, a maioria, reivindicados por grupos jihadistas que agiam em represália à decisão do Hezbollah de enviar milhares de combatentes em apoio a Assad.

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou nesta quinta-feira o duplo atentado em Beirute, segundo um comunicado divulgado pela internet.

A reivindicação, transmitida por canais habituais do EI, indicou que a primeira explosão foi provocada por uma moto-bomba e a segunda, por um terrorista suicida.

O premiê libanês, Tamam Salam, decretou a sexta-feira dia de luto nacional após o atentado.

Há menos de um mês, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, voltou a defender o engajamento na Síria, que qualificou de "batalha essencial e decisiva".

"Sem a perseverança no terreno contra o Daesh (acrônimo em árabe do EI) e seus aliados, o que seria hoje da região do Iraque, da Síria e do Líbano", declarou.

O líder do movimento xiita admitiu que o combate na Síria "pode ser longo", mas reforçou que é necessário para "proteger" a região.

O atentado desta quinta-feira é o primeiro contra um reduto do Hezbollah na periferia sul de Beirute desde junho de 2014, quando um agente de segurança morreu tentando evitar um ataque.

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