Publicado 11 de Novembro de 2015 - 20h27

Por Agência Estado

A avaliação sobre os impactos ambientais só poderá ser feita após a estabilidade da lama

Antonio Cruz/ Agência Brasil

A avaliação sobre os impactos ambientais só poderá ser feita após a estabilidade da lama

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse nesta quarta-feira (11) que o governo federal analisa eventuais punições às empresas responsáveis pelas duas barragens que romperam na última quinta-feira (5), em Mariana (MG). A barragem pertence à mineradora Samarco, controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton.

Izabella classificou o ocorrido como “catástrofe ambiental” e lembrou que “a responsabilidade ambiental é da empresa empreendedora”.

“Se couber aplicação de multa por parte da área federal, nós aplicaremos, seremos rígidos. Não tem essa história de achar que a pessoa não pune. Vai ter punição. Tem que, pela legislação brasileira, restaurar ambientalmente”, afirmou a ministra.

Pelos cálculos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 50 milhões de metros cúbicos de lama foram liberados no ecossistema com o rompimento das barragens. A onda de lama que se formou destruiu Bento Rodrigues e chegou ao Espírito Santo.

A avaliação sobre os impactos ambientais só poderá ser feita após a estabilidade da lama e a liberação das áreas pela Defesa Civil, de acordo com o ministério. “O momento agora é o de apoiarmos a população e mitigamos os efeitos do acidente para assegurar o abastecimento de água para a população local”.

A ministra Izabella Teixeira vai a Mariana, para uma vistoria nos locais atingidos pelo rompimento das duas barragens. A presidenta Dilma Rousseff também deve ir à cidade, mas o Palácio do Planalto ainda não confirmou a informação.

DANOS

O prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), disse que o prejuízo causado pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco na semana passada chagará a "pelo menos R$ 100 milhões". O valor, segundo o prefeito, contabiliza prejuízos públicos e também as casas atingidas pela lama após o rompimento das barragens.

"A secretaria de obras fez esse primeiro levantamento", disse. "Ele inclui duas escolas, 15 pontes, pelo menos 50 piquetas (passarelas para travessia de córregos) e 250 casas", afirmou Duarte Júnior.

As declarações foram dadas após pronunciamento dos presidentes das empresas Vale, Murilo Ferreira, e BHP Billiton, Andrew Mackenzie, que anunciaram a criação de um fundo privado para dar suporte à Samarco na reparação aos danos.

O prefeito afirmou ainda que pretende criar uma câmara, envolvendo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e sindicato dos trabalhadores da região, para acompanhar as despesas caso o recurso seja disponibilizado. "Queremos fazer tudo com transparência", completou.

O prefeito disse que os animais e terras produtivas perdidas não entraram na conta, mas garantiu que, na avaliação da prefeitura, o valor cobrirá também os danos ao meio ambiente causados pelo acidente.

Duarte afirmou ter recebido telefonema de Dilma, afirmando que irá à cidade nesta quinta-feira, 12.

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