Publicado 11 de Novembro de 2015 - 11h42

Por France Press

Afegãos protestam contra mortes em Cabul

SHAH MARAI / AFP

Afegãos protestam contra mortes em Cabul

Milhares de pessoas protestaram nesta quarta-feira (11) em Cabul, para pedir o fim da violência contra os hazaras, uma minoria xiita, depois que sete de seus membros foram decapitados na semana passada no sudeste do país.

Aos gritos de "Vingança!" e "Respeito!", os manifestantes, muitos deles hazaras, se dirigiram para o palácio presidencial levando os caixões das sete vítimas.

"Hoje matam a nós, amanhã atingirão vocês", afirmava um cartaz em referência aos talibãs e ao grupo Estado Islâmico, apontados como os autores da decapitação de quatro homens, duas mulheres e uma criança.

Quando os manifestantes se aproximaram do palácio presidencial, foram ouvidos disparos de advertência para o ar, mas aparentemente ninguém ficou ferido.

"Houve disparos de advertência para o ar. Os manifestantes estão se dispersando e ninguém ficou ferido", informou à AFP Sayed Gul Agha Rohani, chefe adjunto da polícia em Cabul, sem informar se os disparos foram feitos pela polícia, o exército ou a guarda presidencial.

Os corpos foram descobertos no domingo pelas autoridades na província de Zabul, onde ocorreram combates entre os dois grupos jihadistas rivais.

Os hazaras, em sua maioria xitas, representam 10% da população afegã. Entre 1996 e 2001 foram vítimas da perseguição dos talibãs sunitas quando estes dirigiam o país.

Segundo eles, as autoridades não protegem o suficiente a comunidade.

"Ghani demissão! Abdullah demissão", gritaram os manifestantes em referência ao presidente Ashraf Ghani, da etnia pashtum, a mais importante no país, e ao chefe do executivo, Abdullah Abdullah, de pai pashtum e mãe tadjique.

"Queremos que se faça justiça. Viemos ao palácio do governo para pedir contas a nossos dirigentes que primam por sua incompetência", afirmou Mohamed Hadi, um manifestante hazara de 42 anos.

"Queremos saber por que o governo se mostra indiferente. Pedimos a demissão dos dirigentes porque são incompetentes e corruptos", declarou, por sua vez, Mohamed Jawad Sultani, um professor universitário.

Na véspera, os serviços de inteligência afegãos anunciaram a libertação de oito reféns hazaras na província de Ghazni, centro do país, pouco depois que o presidente Ashraf Ghani assegurar que suas tropas farão todo o possível para encontrar os assassinos dos hazaras decapitados.

Ghani também condenou os assassinatos que, segundo ele, querem "semear a discórdia e o medo no Afeganistão".

"É possível que esses assassinatos sejam crimes de guerra. Seus autores têm de ser levados ante a justiça", declarou Nicholas Haysom, chefe da missão da ONU no Afeganistão.

As circunstâncias das decapitações ainda são desconhecidas, e ocorreram em uma zona fora do controle do governo.

Há vários dias duas facções talibãs, uma leal ao mulá Ajtar Mansur, sucessor oficial do falecido mulá Omar, e outra fiel ao mulá Mohamed Rasul, designado na semana passada chefe de uma facção rival, estão em confronto.

Escrito por:

France Press