Publicado 10 de Novembro de 2015 - 17h39

Uma campanha mundial está sendo realizada para alertar sobre o Net Câncer - um grupo raro de cânceres que se desenvolvem a partir de células do sistema endócrino, os chamados tumores neuroendócrinos, cujos sintomas são facilmente confundidos com outras enfermidades e incluem: diarreia, dor abdominal, tosse, obstrução intestinal, diabetes, úlcera e rubor. As áreas mais comumente afetadas são o pulmão, o sistema gastrointestinal e o pâncreas.

A enfermidade é lembrada mundialmente em 10 de dezembro, e a campanha tem como mote uma zebra - que faz alusão à expressão “deu zebra” e instiga as pessoas a se conscientizarem que podem estar sujeitas a esse tipo de doença. 

A incidência é de 5 casos a cada 100 mil pessoas, estima a International Neuroendocrine Cancer Alliance (INCA). Não existe um grupo de risco, e a confusão que é feita com outras doenças pode tardar o diagnóstico e prejudicar o início do tratamento.

Uma pesquisa conduzida pela entidade aponta que 60 a 70% dos pacientes são diagnosticados em um estágio já avançado.

“Há uma dificuldade de acesso a tecnologias em saúde que facilitam o diagnóstico. O exame de Cromogranina A, por exemplo, não é aprovado nem pelo SUS e nem pelos convênios médicos e é o único biomarcador sanguíneo para esse tipo de câncer”, afirma o médico Gustavo Girotto, oncologista clínico do Hospital de Base de São José do Rio Preto e investigador principal em oncologia do centro integrado de pesquisa do hospital.

De acordo com o INCA, os pacientes com esse tipo de câncer são tratados, em média, de 3 a 7 anos por outro tipo de câncer. “Os sintomas são muito inespecíficos e as pessoas pensam em algo mais comum como infecção intestinal ou intoxicação alimentar. Se não tiver um refino no diagnóstico pode parecer um câncer de tumor tradicional e não um tumor neuroendócrino”, afirma Girotto.

Tratamento

O tratamento inclui cirurgia, quimioterapia, além de medicação injetável e oral para estacionar o crescimento do tumor. "É possível viver muitos anos com um tumor, mas o acompanhamento do oncologista é sempre muito importante", afirma a oncologista clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ICESP), Rachel Simões Pimenta Riechelmann. 

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Os tumores desse tipo são de crescimento lento e silencioso, muitas vezes assintomáticos, e aparecem em células com capacidade de produzir hormônios. O excesso de produção de determinado hormônio pode indicar a presença da doença.

“Os sintomas são amplos e dependem do local em que o tumor está instalado. O tipo mais comum é o tumor carcinoide, que produz a síndrome carcinoide, e está associado a diarreia e a vermelhidão no rosto. Há ainda o insulinoma, que apresenta uma alta produção de insulina”, explica Rachel.