Publicado 09 de Novembro de 2015 - 21h32

Por France Press

Na ilha grega de Lesbos, o fluxo de migrantes da Turquia não para

Aris Messinis/France Press

Na ilha grega de Lesbos, o fluxo de migrantes da Turquia não para

Os ministros do Interior da Europa voltaram a se reunir, nesta segunda-feira (9), em Bruxelas, para coordenar ações visando recuperar o controle de suas fronteiras externas e acelerar o repatriamento dos imigrantes ilegais, um fluxo que não mostra nenhum sinal de diminuição.

O grupo acertou a aceleração do mecanismo de distribuição dos 160 mil solicitantes de asilo, que continuam chegando à Itália e Grécia.

Deste total de 160 mil pessoas que os membros da UE se comprometeram a receber, menos de 150 foram efetivamente realocados da Grécia ou Itália para outros países do Bloco.

Suécia, Luxemburgo, França, Finlândia e Espanha receberam os primeiros grupos. Os espanhóis acolheram no domingo (8) os primeiros 12 refugiados dos 17 mil que prometeram aceitar.

"Observamos as situações onde acontecem. Na Grécia, por exemplo, chegam 10 mil por dia", assinalou o ministro do Interior de Luxemburgo, Jean Asselborn, cujo país ocupa a presidência semestral da UE.

A UE instalou na Grécia e na Itália centros de recebimento de refugiados ('hotspots'), destinados a avaliar entre os solicitantes de asilo que podem aspirar a uma proteção internacional e os chamados "emigrantes econômicos".

Estes centros "não podem administrar todas as chegadas", disse Asselborn, 

Para enfrentar esta situação, os ministros analisaram nesta segunda uma nova ideia: a criação de "centros de tratamento no restante da rota" dos emigrantes "no interior e no  exterior da UE", incluindo países dos Bálcãs, explicou Asselborn.

Assim, os emigrantes poderão "iniciar os procedimentos para pedir asilo ou, se for o caso, para regressar" a seus países, prosseguiu Asselborn, destacando que o objetivo é "desacelerar o fluxo" de chegadas.

"A facilitação da polícia de deixar passar as pessoas nas fronteiras deve terminar".

A reunião ocorre dois dias antes de uma cúpula de chefes de Estado e de Governo europeus e africanos em Malta, onde o foco será a aceleração do processo de repatriação de migrantes econômicos para a África.

Milhares de migrantes continuam a chegar aos portões da UE de barco, entre a costa turca e as ilhas gregas do mar Egeu e, em seguida, por ferry até o continente, mas também a pé, em trem ou ônibus, cruzando os Bálcãs para o norte da Europa.

O fluxo foi interrompido por alguns dias devido à greve dos ferries gregos entre as ilhas do mar Egeu e o continente. Mas desde o fim da interrupção na sexta-feira (6), cerca de 15 mil imigrantes foram transportados para o porto de Piraeus.

Nesta segunda de manhã em Eidomeni, na fronteira da Macedônia, centenas de ônibus formavam uma longa fila.

"Os ônibus não param de chegar lotados de refugiados que ficaram bloqueados nos últimos dias nas ilhas gregas. A situação não é fácil, mas administrável", disse à AFP Alexander Voulgaris, um representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Ele estima que 10 mil migrantes devem atravessar a fronteira ao longo do dia.

Mais de 750 mil refugiados e imigrantes chegaram desde o início do ano na Europa, dos quais 140 mil fizeram a perigosa travessia do Mediterrâneo entre a Líbia e Itália, segundo a ONU, que espera a chegada de 600 mil pessoas nos próximos quatro meses.

Em Bruxelas, os ministros do interior da UE devem fazer um balanço do apoio financeiro prometido aos países dos Bálcãs, que temem uma catástrofe humanitária com a chegada do inverno e estão comprometidos, com a Grécia, com a criação de 100 mil vagas de acolhimento.

Em Lesbos, as chegadas continuam

Divididos sobre a questão da repartição dos migrantes, os 28 países da UE concordam em reforçar o controle das fronteiras externas da UE, sobre a luta contra os traficantes e na expulsão dos migrantes ilegais.

Estas medidas de longo prazo também serão discutidas em Malta na quarta-feira (11) e na quinta-feira (12).

Em Bruxelas, os ministro também devem discutir uma "estratégia de comunicação" para informar os migrantes nos campos de refugiados nos países de trânsito "para que não peguem a estrada após serem manipulados por passadores", de acordo com uma fonte europeia.

O clima ameno facilita as atividades dos traficantes: na ilha grega de Lesbos, o fluxo de migrantes da Turquia não para. Um fotógrafo da AFP constatou a chegada de uma dúzia de barcos, cada um com várias dezenas de passageiros, que desembarcaram nas praias do norte da ilha.

No outro extremo da sua longa jornada, na Suécia, o governo pediu na semana passada a seus parceiros europeus a "realocação" de refugiados que chegam em seu solo.

Como a Suécia, muitos governos na Europa veem com preocupação o crescimento de partidos de extrema-direita que se aproveitam da ansiedade, e por vezes hostilidade, do eleitorado, confrontado com esta crise migratória sem precedentes desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Este é o caso da França, onde a Frente Nacional (FN, extrema-direita) espera um resultado histórico nas eleições regionais de dezembro, ou na Alemanha, onde o populista AFD  reuniu cinco mil manifestantes, no sábado (7), em Berlim contra a política de acolhimento da chanceler Angela Merkel.

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