Publicado 09 de Novembro de 2015 - 12h07

Por Agência Estado

Além de pregar o diálogo com o governo e de reconhecer a 'frustração' com a situação econômica do Brasil a CNTA informou acreditar 'em uma guinada' na crise do País

Divulgação/ Reprodução

Além de pregar o diálogo com o governo e de reconhecer a 'frustração' com a situação econômica do Brasil a CNTA informou acreditar 'em uma guinada' na crise do País

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) informou nesta segunda-feira (9) que os caminhoneiros representados pela entidade se manifestaram pela necessidade de trabalhar, numa referência às paralisações pontuais ocorridas no Brasil.

"Ao consultar a sua base de representação, a CNTA e as entidades que a compõe, federações e sindicatos, optam pela defesa dos interesses dos caminhoneiros, por meio do diálogo e negociação com o governo federal e setor privado", informou, em nota, o presidente da CNTA, Diumar Bueno.

"Consultada a categoria, ela manifesta sua necessidade de trabalhar e não de paralisar. Até porque a dificuldade econômica por que passamos, não é exclusividade dos transportadores rodoviários, e sim de todo o País", completou.

No documento, sem citar nomes, a CNTA criticou as lideranças da paralisação de hoje e informou que "antes de qualquer pessoa se intitular uma liderança e promover uma paralisação nacional é preciso partir da premissa que uma crítica deve vir acompanhada de uma sugestão". E emendou: "gritos de ordem incitando protestos podem conseguir apoio e simpatia, mas sem propostas concretas de nada adiantam".

Além de pregar o diálogo com o governo e de reconhecer a "frustração" com a situação econômica do Brasil a CNTA informou acreditar "em uma guinada" na crise do País, a exemplo de outras nações que, "com a luta e apoio da população, de forma inteligente e organizada, viraram o jogo e estão novamente em crescimento".

ABPA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) criou um comitê de gestão de crise para acompanhar a greve dos caminhoneiros. O protesto liderado pelo Comando Nacional do Transporte já bloqueou rodovias em quatro Estados, entre a madrugada e a manhã desta segunda-feira, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

A ABPA quer traçar estratégias para enfrentamento dos efeitos da greve e, para isso, vai realizar levantamentos dos impactos e efetivar medidas para tornar viável a entrega de insumos nas granjas, o transporte de animais para o abate e de produtos para distribuição no mercado interno e para as exportações.

Segundo a ABPA, uma das principais preocupações dos exportadores neste momento são os embarques para países que costumam fazer estoques nesta época do ano. Um exemplo é a Rússia que, ao fim do ano, deixa de operar por cerca de um mês por causa do acúmulo de gelo nos portos com o rigoroso inverno local.

"O mês de novembro será crucial para o setor recuperar perdas com a primeira greve dos caminhoneiros (no início do ano), além da paralisação dos trabalhos dos fiscais federais agropecuários, ocorrida entre setembro e outubro. A paralisação tem efeitos perversos no setor e, neste momento, tememos que sejam ainda piores que os que sofremos no início do ano. Esperamos, por isto uma rápida ação por parte do governo", afirmou, em nota, o presidente da ABPA, Francisco Turra.

Na última paralisação da categoria, a ABPA calculou que os prejuízos para o setor de aves e suínos totalizaram mais de R$ 700 milhões. Na ocasião, cargas não puderam ser entregues, portos pararam, agroindústrias suspenderam abates e os estoques ficaram lotados.

Segundo a ABPA, diariamente, os exportadores de carne de frango embarcam, aproximadamente, 15 mil toneladas de frango, gerando receita de US$ 24,8 milhões. De carne suína, são 2,7 mil toneladas diárias, com receita de US$ 5,5 milhões.

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