Publicado 09 de Novembro de 2015 - 17h52

Por Raysa Figueiredo / Especial para a Metrópole


Vários

Large Group of Student Standing

Projetos multidisciplinares são uma importante ferramenta de ensino que reúne diversas áreas do conhecimento dentro de um tema único, em que tudo está interligado. O professor assume o papel de mediador e orientador para que, no processo de pesquisa e elaboração do trabalho, o conhecimento contextualizado contribua para o desenvolvimento de habilidades e competências. “A escola deve trabalhar com uma proposta curricular que, além do conhecimento historicamente produzido pela humanidade, faça sentido com as questões do cotidiano dos alunos”, afirma a pedagoga Rúbia Cristina Cruz, professora doutora do Instituto de Educação e Ensino Superior de Campinas (Iescamp).

De acordo com ela, esse tipo de atividade possibilita o estabelecimento de associações entre as áreas e os conteúdos que serão trabalhados. A participação efetiva de todos os envolvidos – alunos, professores, funcionários da escola e famílias – motiva e fomenta um ambiente no qual o ato de aprender não tem limites. E é nesse clima que se desenvolve o conhecimento por meio da experiência, compartilhado e autônomo.

Colégio Axis Mundi

O Colégio Axis Mundi trabalha este ano o projeto multidisciplinar Viver Axis: Cenário Ambiental e Novas Posturas da Sociedade, cujo objetivo é apresentar aos alunos osdesafios e os problemas ambientais da atualidade. O programa teve início com os educadores mostrando aos estudantes que a degradação ambiental está bem próxima deles e não apenas em outra cidade ou país. Em outra etapa, os professores organizaram apresentações com base em resultados de pesquisas, palestras, entrevistas, materiais didáticos e outros instrumentos. Paralelamente a isso foi feita a leitura de livros de autores engajados na conservação ambiental.

No final de outubro aconteceu o Sarau Cultural, que mostrou ao público como o ensinar e o aprender diferenciados elevam a autoestima dos estudantes e os transformam em protagonistas de uma educação pautada na responsabilidade de todos os envolvidos. “Durante o ano letivo, observamos que por meio dos projetos interdisciplinar e multidisciplinar desenvolvidos pelos alunos, com a supervisão dos professores, houve uma transformação e uma sensibilização dos participantes às questões ambientais, às mudanças de comportamento e à construção de novos valores éticos no exercício da cidadania e da responsabilidade ambiental”, avalia a diretora da escola, Delcídia Chiari.

O Colégio Axis Mundi atende alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.

Colégio Básico

No Colégio Básico, alunos do Ensino Fundamental II (6o ao 9o anos) participaram do I Seminário Científico do Colégio Básico de Campinas, com o tema A Cidade do Futuro. Após pesquisas, estudos, discussões e debates, as turmas definiram seus temas, todos visando a formulação de ideias para a construção de um mundo mais sustentável. As atividades englobaram estudos sobre lixo, água, formas de energia e escola do futuro – os participantes pesquisaram desde propostas para coleta e reúso do lixo por meio de tubulações, como em Barcelona, até a formação de professores antenados com uma escola para gerações futuras.

“O surpreendente foi o envolvimento da maioria dos alunos, inclusive aqueles que têm dificuldades nas aulas cotidianas. A cada passo do projeto foram estabelecidos diálogos horizontais entre alunos e professores. Com isso, aprendemos que quando colocamos os estudantes como protagonistas do processo educacional eles ampliam suas possibilidades de aprendizagem e nos ajudam a desenvolver um processo pedagógico partilhado, muito mais interessante e motivador para todos”, comenta a coordenadora pedagógica da escola, Heloísa Helena Dias Martins Proença.

Colégio Educap

Pensando em uma atividade que levasse pintura, música, filosofia e educação para dentro do espaço institucional, o Colégio Educap desenvolveu este ano o projeto Mulheres e Africanidades: Uma Experiência em Tinta e Percussão, com alunos de sete a 11 anos. Para começar, os professores selecionaram imagens de pintoras africanas contemporâneas para serem trabalhadas nas aulas de informática, com o uso de softwares de edição. Num segundo momento, foram escolhidas as imagens modificadas para serem pintadas em tela.

Para chamar a atenção dos alunos para a conexão entre música e artes plásticas, as pinturas modificadas também foram trabalhadas nas aulas de música. Com isso, foi possível levantar questões envolvendo as relações entre imagem e sonoridade, textura e tessitura, volume e profundidade, tempo e andamento. Após esse exercício, as turmas utilizaram instrumentos de percussão e softwares de edição para criar e gravar trilhas sonoras para cada pintura. O resultado será mostrado em uma exposição no final deste mês.

“Pensamos que esse projeto tem um forte valor educativo porque busca pensar e valorizar um outro modo para trabalhar a aprendizagem artística das crianças, em que o resultado é, muitas vezes, imprevisível. Além disso, ele convida os envolvidos a sentirem e se encontrarem com toda a potencialidade que o universo feminino africano pode produzir como conhecimento”, afirma o coordenador pedagógico do Ensino Fundamental I, Marcus Pereira Novaes, responsável pelo projeto.

Colégio Photon

O tema escolhido para o projeto multidisciplinar do Colégio Photon este ano foi Luz, Photon, Ação, que propôs à comunidade escolar uma viagem pelo universo do conhecimento e sua construção histórica, científica e cultural. O tema originou diversos projetos de pesquisa, que foram desenvolvidos ao longo do ano por todas as turmas. “É uma proposta didática que viabiliza a descentralização do papel do professor na sala de aula e torna o aluno ativo, protagonista da construção de saberes”, explica a diretora pedagógica da instituição, Simone Jaqueline Marques Xavier.

Os assuntos a serem estudados foram definidos por professores e alunos, que iniciaram uma rotina de pesquisas, levantamentos bibliográficos e produções. Toda essa movimentação estimula o trabalho colaborativo para conhecimento, compreensão, aplicação, análise, avaliação e síntese. Na opinião da diretora do Photon, a educação tem de resgatar sua dimensão fundamental de ser o espaço da criação, da colaboração, da generosidade e do compartilhamento. Para Simone, trabalhar com projetos multidisciplinares torna o processo de ensino-aprendizagem menos centrado no professor e mais centrado no estudante.

Colégio Raphael Di Santo

Um dos mais representativos projetos multidisciplinares do Colégio Raphael Di Santo é o curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As aulas são ministradas de forma diferente do que normalmente acontece em sala de aula: os professores abordam diversos assuntos que possivelmente farão parte do exame e também dos mais importantes vestibulares do País e envolvem a solução de exercícios elaborados para essas provas.

“É uma forma de os professores retomarem conteúdos que, muitas vezes, têm uma ênfase diferente em sala de aula, utilizando da tecnologia disponível no colégio, como recursos audiovisuais, internet, lousa digital e outros”, informa o coordenador pedagógico da instituição, Eduardo Cellere. Nas semanas finais do curso há um intenso preparo para o Enem, com a realização de simulados e provas testes.

Também faz parte do calendário dos estudantes dos terceiros anos a aula dica, em que os professores abordam assuntos atuais e relevantes de maneira divertida para relaxar antes das provas.

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Raysa Figueiredo / Especial para a Metrópole