Publicado 09 de Novembro de 2015 - 17h23

Por Vilma Gasques - Especial para Metrópole

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Diogo Zacarias

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Foto: Diogo Zacarias

Ensino global e amizades fortalecidas

Ensino global e amizades fortalecidas

Muitos pais, por trabalharem o dia todo, optam por matricular os filhos em escolas que oferecem o período integral. Dessa maneira, garantem que a criança tenha atividades extras para fazer no horário em que não está em sala de aula. Integral, por definição quer dizer total, inteiro, global. Isso, na educação, significa que os estudantes irão se desenvolver de forma completa, com uma educação organizada em espaços e conteúdos.

Estudioso sobre o assunto, o professor Guilherme do Val Toledo Prado, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), teve a oportunidade de acompanhar algumas escolas que implantaram a educação integral em Campinas entre os anos de 2012 e 2014. Para ele, todas as instituições deveriam ter uma jornada ampliada para conhecimentos e saberes serem trabalhados a partir do cotidiano da criança, com estudos do meio, coletivo de profissionais que a acolhem e acompanham. “O importante não é uma escola que tenha período integral, mas que tenha educação integral. Com isso, o que vale é uma jornada ampliada e um projeto pedagógico com profissionais que constroem um trabalho articulado com as necessidades do aluno”, diz.

Prado diz que há bons exemplos de educação integral em Campinas e no Brasil, nos quais as atividades desenvolvidas são orientadas pelo projeto pedagógico e com disciplinas integradas. “Dessa forma, um professor pode compartilhar sua matéria com o conteúdo de outra. Isso pode ser levado para a comunidade e vale, inclusive, para o Ensino Médio. Mas os professores precisam ser dedicados à escola exclusivamente”, alerta o estudioso.

Colégio Liceu Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora

No Colégio Liceu Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora a grade horária privilegia atividades direcionadas de acordo com a faixa etária. Inicialmente, são realizados as lições de casa e os estudos diários, seguidos por atividades como judô, balé, inglês, música, parque, brinquedoteca e jogos. “Na grade também consta a hora do descanso logo após a refeição, momento em que os alunos do Mirim dormem com cantigas de ninar e os alunos maiores assistem a filme deitados em almofadas. Esse momento é muito importante porque recarrega as energias para o período da tarde”, explica Renata Penteado, coordenadora das atividades extras e do Liceu Plural. Para que tudo funcione conforme as necessidades das crianças, a programação é desenvolvida por profissionais qualificados e pedagogos. Além disso, são projetos em diferentes ambientes e com diversidade de materiais oferecidos pela escola. “Hoje, temos uma média de 24% dos alunos do Ensino Infantil ao 6o ano que participam do período integral. Fora os que fazem o Plural esporádico. Muitos ficam no período integral porque gostam de estar na escola, em companhia dos amigos e realizando as atividades propostas, visto que muitas vezes os pais chegam para buscá-los e eles se recusam e pedem para ficar um pouco mais”, comenta.

Renata afirma que um dos benefícios do período integral no Liceu é auxiliar na socialização, na integração e na autonomia das crianças. Mas há outras vantagens. “Com certeza, o acompanhamento pedagógico durante a realização das tarefas e o direcionamento nos estudos diários é um fator muito importante no aprendizado se compararmos com uma criança que fica em casa no período inverso ao do regular”, ressalta a coordenadora.

 

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Vilma Gasques - Especial para Metrópole