Publicado 15 de Novembro de 2015 - 5h30

O comércio de Campinas se aproxima do final de ano com números bem distantes do desejo dos varejistas. Por mais um mês, o setor amargou queda nas vendas.

Balanço divulgado pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) apontou retração de quase 10% no volume de vendas em relação a outubro de 2014. O faturamento caiu 7,89% e ficou em apenas R$ 1,29 bilhão em Campinas.

Nem o Dia das Crianças fechou no azul. Os lojistas tiveram diminuição do movimento de 5,85% em relação ao resultado do ano anterior.

A única informação positiva foi um recuo da inadimplência. Análise dos dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) mostrou que a quantidade de carnês não pagos há mais de 30 dias caiu de 15.899 documentos para 10.300 documentos em outubro deste ano, uma queda de 35,22%.

Contudo, no ano, a inadimplência ainda está mais alta do que em 2014. No acumulado, o calote já chega a R$ 140,4 milhões e um total de 194.997 dívidas pendentes. “A tendência é de queda da inadimplência nos dois próximos meses. Os consumidores deverão utilizar boa parte do 13 salário com o pagamento de dívidas”, comentou o coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins.

Ele observou que os consumidores também mudaram o comportamento na hora de comprar. “As vendas à vista cresceram neste ano, enquanto as compras no crediário tiveram queda acentuada”, disse.

Ele comentou que o resultado das vendas de outubro foi o pior para o mês desde 2008. “Os lojistas estão com estoques bem elevados e a esperança é vender bem no Natal. A estimativa é de números melhores do que nos últimos meses. Mas o cenário será bem pior do que em anos anteriores. A conjuntura econômica é muito ruim. Com desemprego e inflação em alta, os consumidores perdem o poder de compra”, analisou.

De acordo com a avaliação da entidade, no acumulado de janeiro a outubro deste ano, o faturamento atingiu R$ 11,5 bilhões em Campinas. No ano passado, o volume foi de R$ 11,85 bilhões. A queda foi de quase 3%.

“Esses valores, contudo, são nominais. Se forem deflacionados, o faturamento do varejo caiu mais de dois dígitos neste ano. E não há perspectiva de melhora do quadro. O Natal também será bem mais magro do que no ano passado”, salientou. O economista comentou que a situação da comércio na Região Metropolitana de Campinas (RMC) também é ruim.

“As vendas tiveram um declínio de 3,14%. O volume caiu de 8,24 milhões para 7,98 milhões de consultas ao SCPC. O faturamento nominal teve queda de 2,44%. No acumulado de janeiro a outubro deste ano, o valor foi de R$ 27,53 bilhões. No ano passado, o valor tinha sido de R$ 28,22 bilhões. E o calote com a inadimplência já chega a R$ 334,3 milhões”, apontou Martins.