Publicado 12 de Novembro de 2015 - 5h30

O setor elétrico vai receber até 2024 um total de R$ 376 bilhões em investimentos. Boa parte desses recursos será destinada à geração em plataformas renováveis -hidrelétrica, eólica, solar e biomassa - que devem ficar com uma fatia de R$ 127,8 bilhões.

Dado o enorme potencial do segmento, o Brasil deve atrair cada vez mais fabricantes de equipamentos. E regiões como a de Campinas podem ser beneficiar com a chegada de indústrias focadas em tecnologia e maquinário para a chamada energia limpa.

Um exemplo é a chinesa BYD, que investe R$ 150 milhões em uma planta de painéis solares fotovoltaicos em Campinas. Outro é a Global Brasil, que inaugurou neste ano uma unidade de painéis em Valinhos que consumiu R$ 50 milhões.

O governo federal aposta no aumento da participação da energia renovável na matriz energética. Ontem, durante palestra de abertura no Campetro Energy 2015, o Secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, afirmou que o momento é propício para os investimentos na produção de energia renovável.

“O Brasil terá um projeto muito forte para estimular a geração fotovoltaica de energia nos próximos anos. Os investidores terão um mercado potencial muito grande”, disse. Ele comentou que será importante criar polos de produção de equipamentos e tecnologia para fotovoltaica, como está acontecendo com a eólica.

“A produção local reduz custos com equipamentos e permite o desenvolvimento de tecnologia no País. Futuramente, o Brasil poderá ser uma plataforma de exportação de equipamentos e inovação para outros países da América Latina”, disse.

O secretário afirmou que os preços-teto da energia gerada pelas fontes renováveis ofertadas nos leilões do governo remuneram a contento os investidores. Na palestra realizada para empresários de Campinas e região, ele detalhou o planejamento do governo para a matriz energética brasileira em um horizonte de mais de dez anos.

O secretário garantiu que o País terá energia suficiente para atender a demanda e que não há risco de racionamento. “A geração de energia elétrica cresce mais do que a demanda. Em 2014, o crescimento da capacidade foi de 5,6% e o da carga, de 2,6%. Neste ano, a expansão da capacidade será de 5% e da carga de zero. E nos próximos anos, entrarão em operação hidrelétricas e parques de outras fontes como eólica e fotovoltaica”, ressaltou.

Ventura Filho comentou que nos próximos dez anos serão acrescidos na matriz energética 78,1 GW. “Deste total, 30,8 GW virão das hidrelétricas. Outros 19,8 GW de eólica. A solar vai contribuir com 8,3 GW e a biomassa com 8,8 GW. As fontes renováveis serão responsáveis por 85,5% da geração. O restante virá de fontes fósseis”, apontou.

As projeções do Ministério das Minas e Energia mostram que os investimentos na matriz energética serão de R$ 1,4 trilhão até 2024. Pelo planejamento do governo serão aplicados R$ 993 bilhões na área de petróleo e gás. Outros R$ 376 bilhões serão em eletricidade e os biocombustíveis ficarão com R$ 39 bilhões.

“A estimativa é que 40% dos R$ 376 bilhões serão para a geração de energia elétrica. Nos próximos anos, 85% da geração virá das quatro principais fontes renováveis: hidrelétrica, eólica, solar e biomassa”, afirmou Ventura Filho.

Custos

O secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia disse que nos próximos dois anos serão criadas condições para a redução do custo de energia no País.

“As térmicas com custo mais elevado estão sendo desligadas e o processo deve continuar em 2016. Nos próximos anos, entrarão em operação várias fontes de geração como a Usina de Belo Monte”, comentou.

Ventura Filho afirmou que o País atravessou nos últimos três anos um período de queda da incidência de chuvas que afetou o sistema elétrico. Porém, ele ressaltou que o cenário atual “não é o pior da história” e que há uma compensação da redução dos reservatórios das regiões Nordeste e Sudeste com as cheias no Sul e no Norte.

“É raro acontecer o quadro que vimos nos últimos três anos. Entretanto, a situação na região Sudeste começa a mudar. O Nordeste ainda sofre com os reservatórios baixos. Contudo, temos um excedente no Sul. Como o sistema é interligado, temos condições de aumentar a produção conforme a situação hidrológica”, concluiu.