Publicado 11 de Novembro de 2015 - 5h30

Os governos estaduais estão investindo em tecnologia para aumentar a arrecadação e evitar medidas impopulares como aumento de impostos. Dez secretarias responsáveis por cuidar das finanças de Estados e do Distrito Federal usam ou estão interessadas numa ferramenta capaz de cruzar informações de bancos de dados hospedadas em diferentes plataformas - o mesmo sistema usado por grandes bancos e empreiteiras, além de redes de varejo.

Uma das últimas a aderir foi a Secretaria de Fazenda do Rio Grande do Sul, que enfrenta sérias dificuldades financeiras, inclusive com o atraso de salários dos servidores públicos. O órgão comprou a plataforma de big data - que permite, em frações de segundo, analisar e cruzar informações sobre a movimentação das empresas. “Passaremos de horas ou dias de análise de informações para poucos segundos. Uma análise de determinado setor econômico, que hoje leva quatro meses, será concluída em meia hora”, disse o subsecretário da Receita gaúcha, Mario Luis Wunderlich dos Santos.

De acordo com ele, nas atuais 55 malhas fiscais em operação no órgão estadual estão lançadas informações em “volumes incalculáveis” sem apoio da tecnologia: são 8,5 bilhões de registros de notas fiscais, 26 bilhões de registros de escrita fiscal e 4,5 bilhões de transações em cartões de crédito e débito cadastrados. Outra possibilidade da nova ferramenta é encontrar o padrão de comportamento de empresas que sonegam. Com a ajuda da ferramenta, já foi possível mapear microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais (MEIs) em situação irregular, principalmente por ter faturamento superior ao declarado - um caso exemplar foi de uma MEI com faturamento anual de R$ 10 milhões, sendo que o teto permitido pela lei é de R$ 60 mil por ano. (Agência Estado)