Publicado 11 de Novembro de 2015 - 5h30

Num ano em que a indústria sentiu no caixa o peso da alta da energia elétrica, os empresários de Campinas querem incentivar a geração do insumo por fontes renováveis - e transformar a região em um polo de produção de equipamentos para o setor.

Este será um dos focos de discussão do o Campetro Energy 2015, que acontece hoje promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no Expo Dom Pedro.

A cadeia de petróleo e gás também estará no foco de discussões e a rodada de negócios do segmento deve resultar em contratos de R$ 4 milhões nos próximos seis meses. O evento deve reunir pelo 1.500 pessoas.

A palestra inaugural desta 4 edição do evento está a cargo do Secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho. Ele vai falar sobre as futuras expansões do setor elétrico brasileiro.

O diretor-titular da Regional Campinas do Ciesp, José Nunes Filho, afirmou que o evento deste ano ampliou o foco e agregou a discussão sobre a geração de energia elétrica. “O Campetro nasceu como um evento para fomentar os negócios da cadeia de petróleo e gás na região de Campinas. Mas queremos ir além e discutir todas as formas de energia. Neste ano, a indústria sofreu muito com o alto custo de energia elétrica, um problema que pode ser contornado, já que o País tem um potencial imenso de geração de fontes alternativas e cogeração”, comentou.

Nunes Filho lembrou que o setor de petróleo e gás passa por um momento complicado, com cortes de investimentos e projetos. A partir da Operação Lava Jato e do esquema de corrupção que atingiu a Petrobras, houve uma reação em toda a cadeia e projetos de infraestrutura foram suspensos. Mas o diretor do Ciesp acredita que em breve a companhia irá retomar a capacidade de injetar recursos em novos projetos.

Ele comentou que o evento terá paineis para o debate do modelo energético brasileiro e a ampliação das fontes renováveis. “O setor industrial teve neste ano um aumento de pelo menos 50% no custo da energia elétrica. O Brasil é dependente da geração hidrelétrica e da termelétrica e foi o custo do uso das usinas térmicas que pesou na conta em 2015, depois que o reajuste foi represado no ano passado por causa das eleições. Agora, todos pagamos essa altíssima conta”, criticou.

Para ele, o potencial energético do País é muito grante, e a ampliação das fontes renováveis é um caminho para futuramente baratear o valor da energia elétrica. “Em vários outros países, as gerações eólica e fotovoltaica já são largamente utilizadas. Temos um potencial imenso a ser explorado, mas pouco se investe para aumentar o uso dessas fontes”, disse Nunes Filho.

O empresário afirmou que o Campetro também tem como objetivo discutir o fortalecimento de Campinas e região como um polo de desenvolvimento de tecnologia e equipamentos para geração de energia renovável.

“A empresa BYD, que está se instalando em Campinas, vai fabricar painéis solares fotovoltaicos. A CPFL tem uma usina de energia solar no bairro Tanquinho. E várias instituições de pesquisa locais têm tecnologias sendo desenvolvidas nessa área”, enumerou, lembrando ainda da a cogeração de energia por biomassa, outra vertente importante na região.

Rodada de Negócios

Mesmo com um cenário desafiador neste ano, após as denúncias da Operação Lava Jato, a estimativa é que o setor de petróleo e gás possa gerar de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões em negócios durante a rodadade negócios que acontece na Campetro 2015.

“As rodadas de negócios servem para fazer a ponte entre as empresas, principalmente entre pequenas e grandes companhias”, salientou Nunes Filho. Para facilitar ainda mais o proceso, o evento contará com uma sala de crédito aberta aos interessados em obter financiamento.