Publicado 10 de Novembro de 2015 - 5h30

Mesmo às vésperas do Natal, a data comemorativa mais importante para o comércio brasileiro, a confiança dos empresários continuou caindo em outubro. O índice recuou 3% em relação a setembro, para 79,4 pontos, informou ontem a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Ante outubro do ano passado, a queda é ainda maior, de 26,5%. “Para a CNC, o ano de 2015 caminha para se consolidar como um dos piores para o comércio”, afirmou a entidade em nota. A expectativa da CNC é de que as vendas encolham 3,6% este ano, muito próximo do pior resultado já verificado até hoje na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que foi de baixa de 3,7% em 2003.

A insatisfação dos empresários com as condições atuais da economia é a principal razão da queda da confiança. Em outubro, esse indicador recuou 7,1% ante setembro e cedeu 48,2% ante outubro de 2014, ao menor nível da série histórica, iniciada em 2011. Segundo a CNC, 94% dos seis mil empresários entrevistados avaliam que a economia está pior do que no ano passado.

As expectativas tampouco são animadoras. Embora seja o único índice que se mantém na zona positiva (100 pontos), a previsão para o futuro piorou 2,1% em outubro ante setembro. Ao todo, 46,5% dos entrevistados acreditam que a economia vai piorar nos próximos meses. “Nem a proximidade do Natal deu incentivo ao subíndice que mede a intenção de investimentos e contratações por parte dos empresários do setor. O componente apresentou queda de 2,1% em relação a setembro e recuo de 24,6% ante outubro do ano passado”, afirmou a CNC. “Ainda que tenham apresentado uma desaceleração no ritmo de queda em outubro, os resultados dos índices de expectativas e de intenções de investimento dos empresários continuam indicando baixa capacidade de recuperação do comércio no médio prazo”, concluiu a entidade em nota.

Também ontem, a Serasa Experian divulgou que outubro foi o pior mês do ano para os lojistas do País, segundo seu Indicador de Atividade do Comércio. O movimento dos consumidores caiu 3,3% na comparação com setembro - a maior queda mensal e a quinta contração consecutiva.

O desempenho também foi muito fraco na comparação anual: em relação a outubro de 2014, o recuo foi de 7,9%, pior resultado neste critério de comparação desde maio de 2003. No acumulado no ano, o varejo ainda registra uma leve expansão de 0,4%. O único setor que fechou outubro no positivo foi o de combustíveis e lubrificantes, com alta de 2% em relação ao mês anterior. Já o segmento de móveis, eletroeletrônicos e informática puxou o indicador para baixo com queda de 7,7% na comparação mensal, apesar de alta de 2,1% no acumulado em 2015. O setor de veículos, motos e peças também fechou o mês em baixa (-1,3%) e acumula declínio de 18% no ano. Os segmentos de material de construção (-2,7%), tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-1,3%) e supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-0,2%) também registraram quedas no mês. (Agência Estado)